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Os facínoras não deixam nascer

sexta-feira, 14 de julho 2017

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O quadro de violência nacional generalizou-se ao ponto de influir na psiqué do indivíduo. Há hoje um sentimento de medo entre as pessoas; muitas não se encorajam, sequer, a sair de casa. A violência é noticiada diuturnamente nos telejornais. E se tais ocorrências eram comuns nas grandes cidades, atualmente a incidência no interior é algo alarmante, inclusive na zona rural.

Sociologicamente, há de se convir que o mau exemplo é dado pelos próprios detentores do poder, em todas as esferas, sobretudo no Executivo e no Legislativo, cuja impunidade tem sido fundamental para a generalização das nefastas ocorrências.

Politicamente, o Estado não dispõe de projetos, políticas públicas ou ações de inteligência capazes de coibir as práticas criminosas. Um exemplo emblemático da atual falência da segurança pública ocorre com os bancos sistematicamente assaltados no Ceará. Até esta semana, foram registrados 35 ataques a instituições bancárias só este ano em nosso Estado. A solução proposta pelo Governador Camilo Santana é a promessa do envio, à Assembleia Legislativa, de Projeto de Lei que obriga a implantação de tecnologia e segurança nas instituições bancárias do Ceará. O próprio Governador já antecipou que tal lei, se aprovada, poderá ser considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ora, se é assim, em vez de criar mais uma norma ineficaz, por que o Estado não implementa gestões junto aos bancos públicos e privados visando a perfectibilização de tal empreendimento?

Mas o que esperar da classe política de um país em que mais de 160 Deputados Federais estão sendo indiciados por corrupção e cerca de 1/3 dos Senadores encontra-se, igualmente, sob investigação? O que esperar de uma nação em que, recentemente, uma Presidente teve seu mandato cassado, com seus ex-Ministros processados e presos, e no qual um ex-Presidente encontra-se já condenado em primeira instância, na iminência de seguir o mesmo caminho de seus ex-Ministros na cadeia? O que esperar de um país em que o atual Presidente, com pouco mais de um ano de mandato, encontra-se denunciado por corrupção? Esperar o que da massa de marginais daí originada?

O resultado do mau exemplo resulta em toda a violência desenfreada que nos assola, ao ponto de facínoras assaltarem mulheres grávidas, nelas atirando e atingindo um nascituro. Não mais basta viver consumido pelo medo: já não estão deixando, sequer, um brasileiro nascer.

José G. Monteiro
Advogado

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