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Quem tem poder?

FELIPE AUGUSTO FERREIRA FEIJÃO BACHAREL EM FILOSOFIA - UFC

sexta-feira, 08 de fevereiro 2019

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Étriste a percepção de que permanece pairando um clima de ódio, de palavrões, de agressões, de acusações de uns para com outros que pensam diferente, que se posicionam de outra maneira, que politicamente falando estão de outro lado. Parece que a atmosfera eleitoral ainda não passou, mas que vigora fortemente.

Aparenta existir agora a proibição de se opor, de pensar diferente, de se manifestar contrariamente. O fato é que isso sempre houve. Seria fantástica uma sociedade na qual imperasse um pensamento único, onde ninguém questionasse nada, apenas abaixasse a cabeça e seguisse os passos da multidão de massas.
Com efeito, em ares perigosos de se respirar, é preciso cautela e atenção para que não ocorra a multiplicação da intoxicação. A cultura da violência, na realidade brasileira que tende sempre a cair sobre os ombros dos mais vulneráveis, não pode se legitimar em discursos que se disfarçam de bons.

A questão fundamental que se manifesta é: por que esse clima? Foucault na Microfísica do poder, obra que investiga os nuances deste fenômeno sempre presente nas sociedades humanas, faz a seguinte afirmação: “Onde há poder, ele se exerce. Ninguém é, propriamente falando, seu titular; e, no entanto, ele sempre se exerce em determinada direção, com uns de um lado e outros do outro; não se sabe ao certo quem o detém; mas se sabe quem não o possui”. Essa reflexão ilumina a atual condição que se vive no Brasil. O poder percebido como fenômeno está aí para ser exercido em alguma direção, ou seja, sempre segue um rumo, percorre um caminho. E esse percurso é ladeado, uns se situam de determinado lado e outros de outro.

Talvez a impossibilidade de definição do possuidor do poder se deva a constante busca por tê-lo nas mãos, desejo aparentemente não apenas de um dos lados, mas certamente bem direcionado. A tradição é prova de que a trilha que o poder persegue é a das elites, referendando e perpetuando os privilégios, fazendo crescer as desigualdades.

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