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A realidade do empreendedorismo brasileiro

Luis Marques Economista e Empresário

quinta-feira, 07 de fevereiro 2019

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Ésabido por todos, a quantidade extensa de significados e explicações no universo literário. Portanto, dentre as diversas existentes, trago a minha preferida: “normalmente é a criação de novos produtos ou serviços, envolvendo risco e inovação”.

Há de se fazer uma importante ressalva a cerca da presença da palavra “normalmente” na definição acima. Isso porque, não necessariamente, o empreendedor está trazendo algo inovador para a sociedade, seja através de produto ou serviço. Pode ele estar explorando um mercado já existente, sendo mais um na competição. Ou seja, este empreendedor não está empreendendo por oportunidade de mercado, mas sim, por necessidade. Necessidade em se sustentar, por exemplo. Verifica-se, assim, a existência de uma divisão de conceitos dentro do mundo do Empreendedorismo. Analisemos.. O caso mais recente de um dos principais empreendedores brasileiros, o Rick Chester. Com apenas R$ 10 emprestados de um amigo, iniciou um negócio que acreditava ser lucrativo: vender água na praia. E hoje dá palestras em lugares como Harvard. Outra historia interessante, é a de seu mentor, o empresario carioca Flávio Augusto, onde conseguiu fundar sua primeira escola de inglês, aos 23 anos, sem sequer falar uma única palavra em inglês. Hoje é um dos bilionários brasileiros listados na revista Forbes. Rick Chester empreendeu por necessidade. Já o Flávio Augusto, por oportunidade.

Não é fato desconhecido por todos, que nos últimos anos, no Brasil, houve um forte surto de empreendedorismo devido a crise econômica que atingiu o país. Milhões de brasileiros, movidos pela falta de alternativas, encontraram no empreendedorismo a fonte do sustento para sua família. Todavia, sabe-se que crises econômicas sempre fizeram parte da nossa história, infelizmente. Vivemos, desde sempre, em uma economia com turbulências. Tal cenário fez desenvolver no povo brasileiro a criatividade em buscar soluções. Não seria novidade para ninguém afirmar que o brasileiro é um dos povos mais empreendedores do mundo.
E realmente não é..Porém, quantidade não significa qualidade..

Em 2017, um estudo feito pela Global Entrepreneurship Monitor, a taxa do empreendedorismo no Brasil foi de 36,4%. Ou seja, a cada 100 brasileiros, 36 estavam empreendendo, seja na criação de uma atividade inovadora ou no aperfeiçoamento/manutenção de uma atividade já existente. Em números absolutos, podemos afirmar que quase 50 milhões de brasileiros estavam empreendendo em 2017. No fim desse estudo foi constatado que o Brasil ficou na décima colocação, dentre 65 países estudados. Portanto, a taxas de empreendedorismo brasileira é considerada relativamente alta. No referido estudo, ficamos na frente de países como Estados Unidos, Franca, Espanha, Alemanha, Itália, BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul), Argentina e México. Porém, no quesito qualidade de empreendedores, somos inferiores aos países citados. O que mede nossa baixa qualidade é o nosso baixíssimo grau de inovação dos produtos e serviços, assim como, sua baixa inserção e competitividade internacional. Em dados, só 12% dos empreendedores brasileiros oferecem um produto inovador ou “pouco comum” a seus clientes. Já no México é 18%, 37% dos americanos e 41% dos canadenses.

Conclusão: Em um país como o nosso, onde são abertos aproximadamente 600 mil CNPJ’s por ano, precisamos que haja um ambiente propício para os empreendedores desenvolverem suas atividades, entregando qualidade e inovação para o avanço do nosso País, assim como, gerando empregos e melhorando o bem-estar geral da sociedade. Com uma carga tributária reduzida e simplificada, diminuição robusta da burocracia e com diminuição do custo de capital brasileiro, ja conseguiríamos enxergar este cenário. Bem, há muito o que ser feito! E quem sabe um dia, relembrando a minha definição de empreendedorismo no início do artigo, possamos retirar a palavra “normalmente” da frase. Ah, e que possamos ter mais Ricks e Flávios por aí!

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