quarta-feira, 20 de março de 2019.
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"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Reflexões para a Quaresma III

Sávio Bittencourt ESCRITOR E Mestre em História Social

quarta-feira, 13 de março 2019

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aparição de Jesus na vida de uma pessoa deve ser por ela comemorada. Há que se fazer uma grande festa, o melhor banquete para se celebrar a alegria deste encontro transformador. É preciso partilhar o encantamento sentido ao se receber a proposta de uma nova vida, convidar todos os amigos para que possam ter a oportunidade de conhecer pessoalmente esta fala de amor, de felicidade, de realização plena, de paz de espírito, de renovação. Todos merecem ouvir essa Palavra, tocar nesse manto e mirar esses olhos profundos e afetivos. Não há ninguém excluído deste banquete, por mais que esteja afastado destas verdades e rendido aos valores mundanos.  

Há quem se esconda na tristeza ou nas preocupações para fugir desta festa permanente. Mesmo tendo sido convidados para o banquete e brindado à chegada deste novo ciclo, retornam à miséria de seus probleminhas, seu dia a dia apequenado com a agonia das tarefas mil, como se buscassem uma justificativa para evitar sua conversão. É como se angariassem motivos para serem infelizes, estressados, irritados, entristecidos. Caem na terrível tentação da autocomiseração, cuja mecânica inclui a atribuição de um falso ar blasé aos sentimentos e manifestações dessas agonias. Uma pessoa trinte pode chamar a atenção e ser o centro do mundo. Uma pessoa estressada poda na verdade se orgulhar de trabalhar muito e estar sempre atarefado. Uma pessoa irritada está sempre ao lado da razão, proprietário majoritário da verdade, motivo pelo qual julga os outros e os condena. Uma pessoa infeliz é admitida no mundo como vítima do sistema, ganha protagonismo no time dos deprimidos, mal do mundo, doença do século.

Tudo isso esconde apenas a falta de coragem de abraçar o convidado principal da Festa e decidir acreditar nas suas promessas: pedir e receber, bater à porta e ela se abrirá, fazei ao outro o que deseja que seja feito a si mesmo. O ciclo virtuoso que é apresentado é de uma simplicidade acachapante, sem dúvida, mas exige que nas pequenas coisas da vida se tenha uma adesão consciente e deliberada à alegria e ao contentamento. Abraçar a Cristo é expressar gratidão em todos os momentos, abandonar de bom grado – em meio a uma grande festa pessoal – os comportamentos destrutivos (e patéticos) que aceitamos, gastando de forma inútil o escasso tempo que temos nessa existência terrena. Não há tratados a serem lidos, nem grupo de pessoas especiais a nos conceder honras ao mérito, nada de intermediários eruditos entre você e o Cristo.

Um abraço é necessário. Uma adesão voluntária, com a confiança de uma criança que pula para o colo do pai, na absoluta certeza do acolhimento mais terno, amparada pelos braços mais fortes.  Ninguém sai desse abraço sem uma profunda inspiração de transformação pessoal, definitiva, para a entrega de cada momento ao amor, à plenitude de uma vida com esse Amigo que veio para curar todos os males, andar no meio dos pecadores e doentes, resgatando a dignidade de toda humanidade. Dê esse abraço agora.

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