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Roubo conceitual

quinta-feira, 18 de maio 2017

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Égrave a crise e assim continuará, pelo menos, até os novos rumos a serem decididos em 2018. Até lá viveremos os desconfortos de ajustes e reformas necessárias para que o País tenha alguma condição de retomar seu crescimento e restabelecer alguma ordem interna.
Mas nada é exatamente muito seguro. Não temos cidadania de fato e menos ainda uma elite política e empresarial devidamente articulada em torno de um projeto para o Brasil. Estamos a deriva e desconectado do resto do mundo que realmente importa.

Portanto a nossa possível africanização ainda não está exatamente descartada, mesmo desejando que não seja provável. A desordem, o descredito, a implosão de tudo, a ausência de valores, a paralisia das pessoas e uma profunda e gigantesca ignorância que corroí a sociedade brasileira fará do vizinho Maduro e sua sofrida Venezuela uma pequena imagem do Brasil que nos espera.
Difícil acreditar em um País, mergulhado em tamanha crise, que deixa uma horda se acantonar no Congresso Nacional e encaminhar os destinos da República. E o pior: trasvestidos de representantes do povo fazem isso como se estivessem num mercado persa, abocanhando e vendendo parte da riqueza pública. E tudo parece absolutamente normal. Continuam trocando cargos e verbas do orçamento por votos no Congresso para apoiar essa ou aquela reforma. Ninguém diz nada. Chamam isso de governabilidade, governo de coalizão. Na verdade, nesses tempos de pós-verdade, isso não passa de roubo conceitual.

Alguns dizem que não há saída nesse momento. É com essa gente que temos que governar. Suspeitos, bandidos ou não, são eles que dirigem nossas instituições. Traze-los ( ou compra-los) para a boa causa e a urgência da Nação é a tarefa do momento. É possível! Mas não deixa de ser temerário que esses senhores e instituições se sintam, pelo menos aparentemente, tão a vontade com tamanha responsabilidade.
É verdade que o mundo empresarial tem seus canais e seus métodos. Preferem os diálogos densos com interlocutores escolhidos e discretos. Nada de muito barulho. Não podemos desconhecer ainda as redes sociais e o conjunto de artigos, textos, entrevistas e manifestações que nos chegam em todas as mídias cotidianamente, sempre refletindo o desconforto dos brasileiros .
Mesmo assim é pouco, inconsistente e muito frágil. Aquilo que se chamava antes de sociedade civil deveria se fazer mais presente nesse momento. Urge uma mobilização do que resta de descente no País!

Jorge Henrique Cartaxo
Jornalista

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