quarta-feira, 17 de julho de 2019.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

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Sem a tábula ansata

JORGE HENRIQUE CARTAXO JORNALISTA

quinta-feira, 11 de julho 2019

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Tudo parece ruim no Brasil. Mas nada tão tétrico quanto o nível do debate político. Infantis e embrutecidos, os brasileiros parecem divididos entre duas tolices: os adoradores de Lula que odeiam Bolsonaro e os seguidores do Bolsonaro que odeiam o PT e assemelhados. Foi assim durante as eleições e permanece nesse tom seis meses depois.

Nem mesmo as mudanças em curso no País, que obedecem a uma agenda definida pelas “elites” de sempre, nos incomodam. A reforma da Previdência, por exemplo, apesar do impacto extraordinário no futuro da vida dos brasileiros, não mereceu a devida atenção. A mídia adestrada fez uma grande campanha pela reforma, mentiu e omitiu dados e esclarecimentos, transformando o fim de uma importante conquista da Constituinte de 1988 num crime e em privilégios que deviam ser aniquilados. Bestializado, o País a tudo assistiu indiferente, como se o fim da previdência pública não lhe dissesse respeito. O mesmo acontecerá com a próxima pauta: a reforma tributária. Mais técnica e aparentemente mais distante do dia a dia do cidadão comum, a reforma tributária será um passeio para os interesses escusos de sempre.

Quem aguardava grande feitos moralizadores nos negócios públicos, crescimento econômico com inclusão social, serviços públicos mais dignos para os cidadãos, educação adequada para realidade do País e do mundo contemporâneo, novo caminho para a saúde pública e segurança pública mais eficaz deve esperar sentado e na sombra. Nada disso deve acontecer! A corrupção endêmica movimenta-se para trocar a maquiagem e manter-se como sócia do orçamento do País, devidamente protegida e amparada pelas Leis e pela Justiça.

O projeto do ministro Sérgio Moro, encaminhado ao Congresso, está sendo devidamente esfarelado, desidratado e destruído. Na esteira das orquestradas denúncias do senhor Gleen Greenwald, Moro, seu pacote anticrime e a Lava Jato vão sendo evaporados em banho-maria. Em poucos meses não restará mais nada do que se acreditava ser o início do fim da grande corrupção que vem corroendo a Republica, pelo menos, nas últimas décadas.

No alto do frontispício do Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, sede do governo de Minas Gerais, repousa uma réplica da cabeça da deusa romana Libertas, a mesma que acompanha a Estátua da Liberdade – presente da França – que se encontra em Nova Iorque, na pequena Ilha da Liberdade. A tocha que ilumina e a tábula ansata que compõe o majestoso monumento, símbolos caros à nossa elite republicana do século XIX, jazem esquecidos pelos iletrados que tocam a Nação nesses dias sombrios.

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