sexta-feira, 20 de setembro de 2019.
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Setembro Amarelo e a tristeza

MAXIMILIANO PONTE MÉDICO-PSIQUIATRA PESQUISADOR FIOCRUZ

quinta-feira, 12 de setembro 2019

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Depois de certo tempo submetendo-se àquela situação, o desânimo quase lhe venceu e Roberta decide mudar. Quando Luiz percebeu que as coisas não estavam dando certo, ficou triste. Parou e pensou na sua vida. Quando a mãe viu que Emily estava mais triste e desanimada, percebeu que havia algo acontecendo.
Entendo que o viver é algo fascinante e desafiador. Não é linear nem previsível. As coisas não são perfeitas e no mais das vezes não acontecem como gostaríamos. Precisamos de meios, para, como viajantes, nos orientarmos na navegação, na estrada do viver.
Um destes instrumentos, para mim, seria a tristeza. Ela serve para nos mostrar que estamos insistindo num caminho que nos faz sofrer, como no caso de Roberta. Ela aponta a necessidade de reflexão à respeito do caminho que estamos dando a nossa vida, como no caso de Luiz. E também, sinaliza para outras pessoas que não estamos bem, em situações que nem mesmo nós percebemos completamente, como no caso de Emily.
Ao apontar a importância de valorizar a tristeza, e de se aliar a ela, não significa que proponho fidelidade à mesma. Muito pelo contrário. Não se dirige um carro olhando só para o velocímetro nem apenas para o medidor de combustível nem mesmo olhando só para frente… Imagina a vida com suas complexidades! Valorize a tristeza, mas seja infiel a ela.
Nesse campo das emoções, é justamente a “fidelidade” aos sentimentos, esse congelamento do olhar para um único instrumento que consiste num perigo. A felicidade, a certeza, a organização quando vivenciadas e sentidas com “fidelidade”, são tão ruins quanto a tristeza vivida da mesma forma, que tecnicamente, poderíamos chamar de depressão.
Ficar triste faz parte do viver. Não vire as costas para tristeza. Olhe a tristeza. Tente entender a tristeza. Não só a sua, mas também a dos outros, sobretudo a dos que lhe são importantes. Isso lhe ajudará a navegar no mundo.
Tristeza é como uma bússola, para olhar e navegar; e não como uma âncora para se abraçar e afundar com ela.

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