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quarta-feira, 29 de março de 2017.
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Sinal

sexta-feira, 17 de março 2017

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Sabe quando você percebe que o sinal vai do verde pro amarelo e gasta meio litro de gasolina, acelerando o carro para não precisar ficar parado no vermelho? Nem sempre é possível cruzar o sinal e, ficar parado ali, mesmo que por alguns minutinhos, parece uma eternidade e pode acontecer de tudo.
De um simples assalto de um celular a um sequestro relâmpago. Não duvide e nem fique assustado, mas isso acontece todos os minutos em Fortaleza. Talvez esteja exagerando, mas quer saber: melhor não arriscar. A maior parte das pessoas que conheço já foram vítimas de assaltos. Alguns deram sorte e foram salvos pelo sinal verde.

Após ouvir relatos de amigos, ver imagens compartilhadas nas redes sociais, notícias na mídia e ter presenciado assaltos pela cidade, quando o sinal fecha, sempre ligo o meu sinal de alerta. Ainda bem que tenho sorte e nunca me aconteceu nada. Semana passada, dirigia em uma avenida movimentada, mais ou menos no horário de maior pico, quando o semáforo foi pro vermelho. Assim que parei o carro, percebo um homem abordando uma mulher em seu carro. Confesso que naquele momento estava meio distraído e fiquei assustado com a situação.

Depois vi que não parecia nada demais, ambos riam e ela o chamava de louco em tom carinhoso, de brincadeira. Rapidamente percebi que não havia acontecido nada de mais e estava bem longe de ser um assalto. Como sou curioso, continuei olhando, procurando entender aquela situação inusitada. Percebi que ele não queria roubar o celular dela, não queria roubar a carteira, não queria roubar o cordão de ouro. Ele só queria roubar um beijo.
O sinal abriu, os carros buzinaram e o casal continuava lá. Minha paciência terminou e eu fui embora. Olhei pra moça, ela continuava rindo, parecia feliz. Acelerei o carro e olhei para o homem que também demonstrava felicidade. Eu nem vi se o tal beijo “roubado” aconteceu de verdade, mas pela felicidade que os dois seguiram em frente, aquele beijo era só mais um detalhe da história deles.

Minutos depois, parei em outro semáforo. Dessa vez, em uma rua menos movimentada, escura e silenciosa, tanto que só se ouvia o som dos carros parados no sinal. A maioria deles, escondidos nos vidros escuros. Pensei novamente naquele casal e comecei a concordar com a moça: aquele homem realmente era louco. Continuo sem saber o que aconteceu com o casal, assim como também nem imagino o que pode acontecer comigo no próximo sinal vermelho que parar meu carro. Tomara que continue com sorte.

Emmanuel Brandão
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