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Só há saída com a política

quinta-feira, 16 de março 2017

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F oi aberto o sigilo das delações da Oderbrecht e a Procuradoria Geral da República (PGR) e apresentou dezenas de pedidos de abertura de inquérito, ou até denúncias, contra autoridades que possuem privilégio de foro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Tudo indica que será encaminhado aos outros níveis de investigação e, principalmente, aplicação da lei – como justiça federal, tribunais de justiça e Superior Tribunal de Justiça (STJ), medidas que abram ações contra muita gente importante, fora de BrasÍlia, é verdade, mas relevantes para o jogo político nacional.
Nesta semana, o Restaurante Piantella, famoso no meio político, recebeu o aniversário de um jornalista veterano que completava 50 anos de carreira, e contou com a presença do Presidente Michel Temer e de políticos de todas as vertentes. Na semana em que a segunda turma do STJ decidiu que vale denúncia contra quem recebeu doação legal com cara de propina, chamou atenção que políticos da velha e nova oposição tenham chegado a conclusão que a política está sob risco e que mesmo em meio a tudo isso tem de ser feito algo.

De quarta-feira, até o final de semana (12), só se falou nos meios políticos sobre soluções para impedir que a política como um todo fique travada. Políticos que receberam doações eleitorais de empresas, e foram quase todos, sabem que podem enfrentar um inferno, em breve. Não é só o “Caso Oderbrecht”. As minorias que só podem ir à frente na política, pois não têm condições de mobilizar temas populistas do momento, também se juntam a isso. O Supremo Tribunal Federal não esconde que agora tem um outro tipo de problema. Os antípodas Gilmar Mendes e Luiz Roberto Barroso dão o tom do tamanho do problema e já falaram a respeito nos últimos dias.

Camadas importantes da sociedade, especialmente os radicais de direita e esquerda, que estão constantemente mobilizados nesses dias de fúria, querem aplicar suas máximas, e, na prática, sejam de uma forma ou de outra desprezam a política. Os mais à direita, falam saudosos de um tempo que não conhecem ou não mensuram frente aos novos tempos, os de esquerda vêm sombras em todos os lados e se esquecem que é natural a roda girar!
A política é a única forma civilizada de se ajustar interesses conflitantes em nome do bem-comum. Fora da política só existe a barbárie. Regiões como o Nordeste, só terão futuro com a política. Como o poder econômico não é nosso forte, ainda, face a insegurança hídrica, notadamente, e por não termos a tecnologia e o centro das decisões, só com a política poderemos buscar o equilíbrio do jogo. Coisa tão difícil de ocorrer.

Fala-se abertamente, entre todos os meios políticos, que se deve encontrar uma solução para equacionar a aplicação da lei na questão dos recursos vindos do financiamento empresarial. Há um entendimento de que se a classe política não encontrar essa solução, o protagonismo do Ministério Público e da Justiça, como um todo, não será suficiente. Não dá para começar o poder político do zero, da terra arrasada. Nem após a Segunda Guerra Mundial isso se deu. Os vencedores deram o tom do novo establisment. No Brasil de hoje, se não houver uma ação, os vencedores serão a Justiça e o Ministério Público. Desequilíbrio flagrante. Como sempre me socorro: democracia dá trabalho!

Genésio Araújo Júnior
Jornalista

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