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SUS de todas as horas está ameaçado

quinta-feira, 12 de outubro 2017

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Uma tragédia abalou a população da pequena Janaúba, em Minas Gerais, e também todo o país. Cenário de terror o incêndio em uma creche, causado por um segurança suicida matou crianças, uma professora, um vigilante e o próprio autor do crime. No rastro de destruição, 31 pessoas ficaram feridas, muitas em estado grave.

O Hospital Regional de Janaúba se assemelhava a uma “praça de guerra”, nas palavras do próprio prefeito da cidade. Profissionais de saúde, bombeiros, todos unidos para prestar socorro ao quinze feridos em estado grave e outros 25 com ferimentos de menor gravidade. Numa situação de tamanha calamidade, o primeiro atendimento costuma ser decisivo. E aqui destacamos o SAMU, que não mede esforços nesses momentos cruciais.
Em um país onde o SUS é mostrado apenas como sinônimo de emergências lotadas, pacientes nos corredores e longas filas nos postos de saúde, o pronto atendimento em casos de caos coletivo passa despercebido.

Em 2013, na tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, 134 feridos foram atendidos em cinco hospitais do Rio Grande do Sul. Uma verdadeira força-tarefa foi montada inclusive para amparar as famílias, que também precisavam de cuidados médicos e psicológicos.
Ganhou notoriedade, em 2015, o acidente com Angélica, Luciano Huck, seus três filhos e duas babás. Os famosos foram prontamente atendidos na rede pública de saúde de Mato Grosso do Sul. Eram só elogios em relação ao socorro que salvou suas vidas. Mas a mídia parou por aí e voltou a divulgar a ladainha diária de fracasso do SUS.

Mesmo com todas as dificuldades, é para o SUS que recorremos nas tragédias coletivas, na maior parte dos traumas ocasionados por acidentes e violência urbana, no tratamento de doenças de alta complexidade, nos transplantes e cirurgias de grande porte. O Sistema resiste, mas é fato que carece de recursos perenes.
Entretanto, ao invés de buscar alternativas para fortalecer, o atual governo fere de morte o SUS, com a Emenda Constitucional 95, que afeta o repasse de recursos para a saúde pelos próximos 20 anos. Isso em plena crise, onde 75% da população brasileira passa a depender diretamente da saúde pública.

Na prática, a medida deve provocar um verdadeiro apagão na seguridade social brasileira. Precisamos estar unidos contra o colapso do SUS.
A Frente Nacional em Defesa do SUS, o Conselho Nacional de Saúde e todos os que lutam pela saúde universal e integral estão mobilizados para sensibilizar a sociedade do quão importante é o nosso SUS, no dia a dia e também nos infortúnios da vida.

Odorico Monteiro
Dep. Federal

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