segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

A terceirização da infância

LIVIA MARQUES PSICÓLOGA CLÍNICA E ORGANIZACIONAL

sexta-feira, 08 de fevereiro 2019

Imprimir texto A- A+

Avida está cada vez mais corrida. Temos de trabalhar para arcar com as despesas, com a escola, com o curso de Inglês, com aquele jogo que queremos dar ao nosso filho e aquela viagem que estamos planejando há algum tempo. Em meio a tantas tarefas, como está sendo o tempo que destinamos aos nossos filhos ou como estamos presentes na vida deles?

Na infância, criamos a base de confiança e da participação de qualidade na vida de nossos filhos. É dever dos pais ensinar os limites, regras e ajudar no desenvolvimento das principais habilidades sociais e emocionais dessa criança.

Porém, quando os pais estão no limite de suas tarefas ou do seu tempo, os filhos correm o risco de passar pela terceirização da infância. Significa deixar que outra pessoa – avós, tios, babás e/ou a escola – cuide, eduque, leve para passear ou até mesmo faça coisas simples, como, por exemplo, olhar nos olhos das crianças e adolescentes quando se conversa. Ou seja, os pais deixam que essa outra pessoa seja o referencial único para ele.
Os pais são os espelhos das crianças e adolescentes. É preciso mostrá-los que trabalhar é importante. No entanto, quando decidirmos ter uma família com filhos e cuidar deles, devemos cumprir com isso. Toda criança ou adolescente necessita conversar e escutar. Precisa ter a validação da fala e atitudes. Mas não significa que os pais devam aceitar tudo como forma de compensar a ausência.

Quando falamos de terceirizar a infância ou a adolescência, falamos da falta de participação destes responsáveis na vida escolar, por exemplo. Atualmente, é mais comum as crianças ficarem e passarem a maior parte do tempo com os avós ou babá. Estes que acabam sabendo sobre como a criança foi na escola, notas, desenvolvimento social com os colegas entre outros assuntos.

As babás são cuidadoras e não devem fazer o papel do pai e da mãe. E os avós, será que devem fazer papel de pais? Devem educar? Alguns atuam desta forma em parceria com os pais. Mas, os pais não devem dar essa responsabilidade a eles. Da mesma forma, eles não devem pegar essa responsabilidade, quando os pais estão vivos. Eles auxiliam nos cuidados, num momento em que os pais precisam, mas não são os responsáveis pela educação. São um apoio. Por isso, não se pode confundir os papéis.

Além do apoio dos avós e babás, temos algumas ferramentas tecnológicas. Uma já velha conhecida é a “babá TV”. Hoje, muitos complementam a atenção das crianças com a TV, internet, vídeo game ou celulares. É só observar os almoços de família. Como esses aparatos eletrônicos tomam o lugar e atenção.
Eu entendo que o ritmo hoje é acelerado. Sou mãe de duas crianças, dona de casa, psicóloga, filha, mãe, escritora, professora universitária entre outras funções. Sim, precisamos, realmente, trabalhar e termos nossa vida. Mas, se decidimos ter filhos, precisamos, realmente dar atenção de qualidade e não quantidade sem qualidade.
Educar é difícil, mas terceirizar pode ser um ponto negativo nessa jornada. Vamos pensar e refletir de forma que possamos ser mais presentes. Oferecer qualidade e participação.

Instagram

[instagram-feed]

Facebook

Twitter