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Terremoto político

segunda-feira, 19 de junho 2017

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Mais um final de semana o povo brasileiro acompanhou, atentamente, uma bombástica entrevista, concedida à Revista Época, pelo empresário Joesley Batista, do grupo JBS, quando, de maneira clara, com todas as letras, fundamentou as suas afirmativas de que o presidente da República, Michel Temer, “era o chefe da maior e mais perigosa organização criminosa do Brasil”. De pronto, o Palácio do Planalto divulgou nota, assinada pelo presidente da República, afirmando ser aquele empresário “bandido notório”, “desfia mentiras” e que, nesta segunda-feira, ingressaria com ações, na Justiça, contra o mesmo.

Reafirmou, ainda, as denúncias que fez ao Ministério Público e à Polícia Federal de que as cúpulas do PT, PMDB e PSDB são os maiores da corrupção política. São 12 páginas, que colocam a nossa classe política, em grande escala, mergulhada num lamaçal jamais previsto, inexplicável para os cidadãos de bem. Não nos compete, num primeiro momento, entrarmos no mérito de suas afirmativas, contudo conclui-se que o nosso sistema político, eleitoral e partidário exauriu-se, chegou ao fundo do poço, deixando “sequelas múltiplas de consequências ” a serem sanadas.

Sem mudanças profundas, os problemas tendem a se agravar, afirma o cientista político da USP – José Álvaro Moisés. Neste contexto, premente de mudanças urgentes, há alguns pontos essenciais, inadiáveis, como: modelo de financiamento de campanha e definição de um teto para doação de empresas; modelo de eleições proporcionais; aplicação absoluta da “Lei Ficha Limpa” para partidos e seus candidatos; disciplinamento de coligações partidárias, por fim aos “partidos de aluguel” o já chamado: “balcão de negócios. Enfim, uma “assimetria entre Executivo e Legislativo para um papel de fiscalização do parlamento”, impondo-se aplicação de penas rígidas, exemplares, aos infratores. O sistema presidencialista de coalizão esgotou-se, enquanto, verifica-se, no momento, uma invasão de esferas entre os poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. A “judicialização é utilizada para dirimir qualquer discórdia entre partidos e seus integrantes”.

Numa verdadeira democracia, tais atribuições são bem definidas e, sobretudo, respeitadas, constatando-se, no momento, contradições irreconciliáveis, uma declarada invasão dessas esferas da nossa democracia. A melhor saída, segundo renomados cientistas políticos, seria uma melhor separação dessas esferas de governo, talvez, o imperativo de uma maior regulamentação. Neste momento de grave crise política, moral, ética, financeira, que atinge patamares inexplicáveis, a pressão popular é apontada, certamente, como essencial para tais mudanças, ressantando-se que, recentemente, o Senado aprovou o fim do foro privilegiado, a cláusula de barreira para um melhor funcionamento dos partidos, com discussões, em andamento, na Câmera Federal.

O verdadeiro sentimento do povo brasileiro é que “nem tudo está perdido”, já que o seu potencial de superação de crises é inesgotável, a partir do momento, em que haja mais “pressão popular”, através das redes sociais, movimentos de ruas, não por “pelegos partidários”, mas, pela sociedade globalizada, não importando o seu status social. A partir do momento em que povo brasileiro assumir esta consciência de que tais problemas afetam suas vidas, escolhas, a democracia, como sinônimo de bem estar para a sociedade, certamente, iremos superar este “festival endêmico de corrupção”, que assola o Brasil, a partir da Operação Lava Jato. Urge união do povo brasileiro, com novas lideranças políticas, para descobrir-se um novo Brasil.

João G. Filho
Acad. Limoeiro  De Letras

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