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Três brasis

quinta-feira, 22 de agosto 2019

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“Sou do Sul”, é título de livro, produzido em 2014, dentro dos festejos da Semana da Farroupilha. Anualmente, o Movimento Tradicionalista Gaúcho, reunindo 30 áreas tradicionalistas gaúchas, relembram, em meio a atrações culturais, esportivas e cívica, o movimento armado, também chamado Guerra dos Farrapos, que teve início a 20 de setembro de 1835, estendendo-se por 10 anos. Focado no separatismo, reclamava do poder central maiores incentivos à economia regional, a qual andava um tanto cambaleante, bem como o ressarcimento a famílias que lutaram na defesa do País. Exigências em parte satisfeitas, com o projeto de colonização e imigração ítalo-alemã, intensificada em vista da deposição das armas.

O Nordeste e Norte brasileiros nunca tiveram, pelo Império e República, salvo parcialmente, tratamento igualitário. Olhando nossa história, milhares de nortistas e nordestinos pagaram com suas vidas e humilhações pela independência da Colônia. Rio Negro (Amazonas), é rebaixado de província a comarca. Em Belém, obedecendo estratégia do governo imperial, 257 patriotas são sufocados num porão de navio.

A contra-revolução de 1817 levou à forca 13 insurretos, três deles a 21 de Agosto, quatro anos depois. Na verdade, proclamou, como a Farroupilha, uma república autóctone, mas teve efêmera duração. A partir daí, as manifestações libertárias, consideradas consorciais pela Coroa entre as capitanias existentes, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, e mais Rio de Janeiro e S. Paulo, são retiradas das Cortes e seus representantes dispensados das atividades constituintes portuguesas. Acusadas de hostilidades às autoridades lusas, portanto, apátridas, quando aconteceu o Grito do Ipiranga. A região, ano depois, não reconheceria a autoridade de D. Pedro, pois esse revogara a Constituinte de 1823. Mais uma vez, pagamos caro por tal decisão, que levou o nome de Confederação do Equador. Respondeu-nos com ações de caça às bruxas.

Governadores, seguindo tal tradição de rebeldia, resolvem se unir, em bloco, sem revanchismo, na busca soluções para os problemas de seus estados. Os do Nordeste, julho último, assinam documento de 10 pontos, prometendo trabalhar em parceria, nas obras estruturais e realização de compras conjuntas. Os do Norte, tomados pelas ideias de Patroni, em face da atual política de desmonte da unidade nacional, resolvem negociar diretamente com as embaixadas da Noruega, Alemanha e França. Criaram o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, visando sua preservação. Em resumo: Sul-Sudeste e parte do Centro-Oeste / Norte / Nordeste, politicamente divididos. São “Três Brasis”, ante a insanidade administrativa atual do País.

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