domingo, 21 de abril de 2019.
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Um mamulengo no palco do Alvorada

Edmar Ximenes Geólogo

quarta-feira, 06 de fevereiro 2019

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Atento aos comentários que circulam na imprensa sobre as confusões geradas pelas posições do governo Bolsonaro em seu primeiro mês, me vem um sentimento de que ele poderá não durar muito tempo. Claro que devemos filtrar, pois os apaixonados distorcem a seu interesse, mas o certo é que os desencontros entre membros deste embrionário governo é deveras preocupante.
Essa preocupação emerge dos interesses que colocaram esse governo fascista no poder e foram cabeças inteligentes, que atuando com competência, não necessariamente com legitimidade e por vias legais, traçaram um projeto e querem atingir seus objetivos.
É fato a falta de conhecimento e competência do presidente eleito, a respeito da sua função, não fala coisa com coisa, não tem claramente um projeto de nação, mantendo as mesmas frases de efeito da campanha, tentando manter harmonia com os desatentos que o elegeram. Percebe-se de forma muito clara que não tem a menor noção do que acontece nos diversos escalões do seu governo, mostrando nitidamente não estar preparado para ser presidente de um país de tamanha diversidade.

Ao avaliarmos seus ministros, alardeado antes da campanha que seriam pessoas chamadas por meritocracia, conhecimento das pastas, chegamos à conclusão de que ali estão pessoas que desqualificarão os ministérios, correndo o risco de termos desfalques importantes de técnicos capacitados que não vão querer macular seus currículos brilhantes, em anos de serviço público. O exemplo maior é do ministro Moro, que tem se mostrado absolutamente perdido na sua função, aguardando apenas dar continuidade à sua carreira, quando pretende ser indicado ao STF no fim do seu mandato. Mesmo percebendo que entrou num barco furado, onde o capitão não é exatamente o que se mostrou ser, já estarão atolados num mar de mediocridade.

Pensando no país, sinto que seria melhor que assumisse o General Mourão, que tem parecido uma pessoa mais sensata, cautelosa, permitindo assim que o país tivesse alguma chance de voltar aos rumos da democracia por caminhos conservadores. No caso de não agradar, teríamos a oportunidade de retomar nas urnas em 2022, um caminho sólido e democrático, comprometido com as causas sociais, visão que não consigo ter com Bolsonaro à frente.

Não escrevo isso com muita convicção de que possa acontecer, pois o que está por trás do fascista, pode não ser muito democrático e muito menos preocupado com questões sociais, pois não tenho assim tanta certeza que o grupo de Mourão seja muito diferente do grupo do presidente eleito. Como dizemos aqui pelo nordeste, me parecem farinha do mesmo saco, trabalhando por um mesmo projeto. Tudo pode ser jogo de cena.

Sabemos que o comando deste governo está fora de nossas fronteiras, seu maior esteio está entre dois generais que parece não se “bicam” muito, mas cada um tem sua posição firme nesse tabuleiro confuso (pelo menos aos nossos olhos). Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, Paulo Guedes, a sofrível Damares e ainda o juiz que cegou, são peças absolutamente manipuláveis nesse tabuleiro, nada representam, apenas cumprem seu papel de menor expressão.
Tio Sam tem o comando do tabuleiro e não pretende entregar suas peças de graça, ou seja, substituir Bolsonaro, o mamulengo maior do palco do alvorada não deve sair, afinal é ele que mantém os seguidores de olhos vidrados sem perceberem o que se passa a um palmo do nariz, se limitando a seguir as ordens dadas pelas redes sociais e esse é seu papel, não deve dar um passo além disso.

Uma peça será escalada para buscar no meio social os inimigos do projeto fascista, para tentar anulá-las e outra para sair desfazendo as bobagens feitas e ditas pelo presidente. Os demais serão fantasmas escondidos sem direito a voz e voto, estando nesta posição com maior destaque o ministro Moro, que saiu da posição de juiz mito, para um reles subordinado cego e mudo.

Cabe agora à esquerda ter paciência e construir com muita inteligência, não um golpe, que isso é meio da direita, mas uma estratégia que exponha as vísceras deste fascismo intolerante, mostrando à sociedade o barco furado em que o país entrou. Vamos então à retomada das lutas sociais, com trabalhadores nas ruas em busca de reaver seus direitos conseguidos com muita luta e que agora estão sendo minguados dia a dia.
Vamos à luta, não achemos que esse presidente vai cair por sua incompetência, pois quem o colocou lá sabe onde quer chegar e dele só precisa da subserviência,o que ele aceitou numa boa.

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