sábado, 21 de Abril de 2018.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Bolsonaro diz que só abandona candidatura “morto”

sexta-feira, 12 de Janeiro 2018

Imprimir texto A- A+

Afirmando que só abandona a sua candidatura à Presidência da República se for morto ou tirado “na covardia”, Jair Bolsonaro (PSC-RJ) publicou em suas redes sociais a primeira manifestação de viva voz sobre reportagens da Folha de S.Paulo que relataram o patrimônio dele e dos filhos parlamentares, além do recebimento de auxílio-moradia mesmo tendo apartamento próprio em Brasília.

“Só em duas situações eu posso não estar neste ano no debate presidencial: se me tirarem na covardia por um processo qualquer, na covardia, (…) ou se me matarem. Não to preocupado com isso. Se me matarem vão ter que me enterrar, vão arranjar outro Celso Daniel [prefeito petista, assassinado em 2002].”

Em um vídeo de 11min39s postado no final da noite da última quarta-feira (10), Bolsonaro afirmou estar propenso a vender seu apartamento na capital federal e passar a ocupar um imóvel funcional da Câmara e acusou a Folha de S.Paulo de ser um jornal “canalha”.
“O que está em jogo? É o poder, é quem vai sentar-se naquela cadeira presidencial. (…) Sou uma pessoa completamente fora do establishment, sou o diferente, sou aquele intruso no poder”, afirma, citando que PSDB e PT tem um leque de apoio parlamentar e no Executivo muito maior do que o dele. “O que acontece? Aponta a bateria pra cima de mim. No caso, a Folha de S.Paulo, tentando me desestabilizar e me colocar no mesmo nível dos candidatos deles, que eles apoiam, do PSDB. Eles preferem até um petista na Presidência do que eu.”

Em reportagens publicadas nos últimos dias, a Folha de S.Paulo mostrou que Jair Bolsonaro e seus três filhos parlamentares multiplicaram o patrimônio na política, tendo hoje 13 imóveis em pontos valorizados do Rio e de Brasília, com preço de mercado de pelo menos R$ 15 milhões. Relatou também que o presidenciável e seu filho Eduardo, deputado federal como o pai, recebem mensalmente R$ 6.167 de auxílio-moradia da Câmara mesmo tendo apartamento próprio em Brasília.

“Estão implicando em R$ 3.500, R$ 3.600 que eu recebo a título de auxílio-moradia, como se eu fosse um bandido. Eu estou propenso a fazer isso, de acordo com os comentários que eu vejo aqui no Face [Facebook], vender o apartamento em Brasilia e comprar um aqui [no Rio].”
A Câmara destina apartamentos funcionais aos parlamentares, mas como não há imóveis para todos os 513, ela paga auxílio-moradia no valor mensal de R$ 4.253. De duas formas, por reembolso para quem apresenta recibo de aluguel ou em espécie, sem necessidade de apresentação de qualquer recibo, mas com desconto de 27,5% relativo a Imposto de Renda. Jair e Eduardo Bolsonaro utilizam essa segunda opção, o que rende mensalmente, para cada um, R$ 3.083.

O auxílio-moradia pode ser recusado pelos congressistas. Em novembro, por exemplo, 27 dos atuais 513 parlamentares abriram mão da verba.
No vídeo, em que Bolsonaro está de bermuda e veste camisa da seleção de futebol do Japão, o deputado diz que não responderá as 32 perguntas enviadas pela Folha de S.Paulo na semana passada, antes da publicação da reportagem. Mas chama por três vezes os repórteres a inquiri-lo pessoalmente, possibilidade que não havia sido oferecida por ele até agora. A Folha de S.Paulo procurou novamente a assessoria de Bolsonaro no começo da manhã de quinta-feira (11) solicitando a marcação de local e hora para a entrevista.

outros destaques >>

Facebook

Twitter