domingo, 19 de maio de 2019.
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Bolsonaro revela veto a indicação de Sérgio Moro

quinta-feira, 14 de março 2019

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O presidente Jair Bolsonaro admitiu pela primeira vez ter vetado o nome da especialista em segurança pública Ilona Szabó de Carvalho para ser membro suplente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.

Em café com jornalistas, ontem (13), o presidente disse que pediu ao ministro Sergio Moro (Justiça) para revogar a nomeação. O recuo de Moro foi anunciado no dia 28 de fevereiro após repercussão negativa entre bolsonaristas.
“Dei carta branca para os ministros, mas tenho poder de veto, isso foi acertado”, disse Bolsonaro. Segundo ele, Ilona “não somaria nada” ao governo.
O presidente disse que Moro tentou convencê-lo da necessidade de ter um outro lado, alguém que discordasse de suas posições. “Ela só concorda com quem tem opinião dela”, justificou o presidente.

O episódio causou desconforto a Moro, nomeado ministro com o compromisso de carta branca do presidente.
A declaração de Bolsonaro diverge do discurso do vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB). Na ocasião do episódio sobre Ilona, ele disse que o Brasil “perdeu” com o recuo.
“Eu acho que perde o Brasil. Perde o Brasil todas as vezes que você não pode sentar numa mesa com gente que diverge de você. O Brasil perde. Não é a figura A, B ou C. Perde o conjunto do nosso país e nós temos que mudar isso aí”, disse o vice-presidente, também presente no café com jornalistas na quarta no Palácio do Planalto.

A escolha de Szabó para compor o órgão -um cargo voluntário e sem funções executivas no governo- foi acompanhada de uma campanha crítica de apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais. Após a ordem de Bolsonaro, Moro teve de voltar atrás e até pedir desculpas a Szabó.
Nas redes sociais, militantes passaram a atacar Moro ao apontar que as posições de Szabó são divergentes em relação às do governo em temas como armamento e política de drogas. Também criticaram o fato de que ela se posicionou contra a candidatura de Bolsonaro durante as eleições.
A especialista é contrária ao afrouxamento das regras de acesso a armas. Também já questionou em artigo pontos do pacote anticrime de Moro, ao considerar preocupantes, entre outras coisas, as medidas que tendem a ampliar o direito à legítima defesa.

As declarações do presidente foram dadas em um café da manhã com jornalistas. Participaram do encontro Leandro Colon (Folha de S.Paulo), Renata Lo Prete (TV Globo), Fernando Mitre (TV Bandeirantes), Mariana Godoy (Rede TV), Carlos Nascimento (SBT), Thiago Contreira (TV Record), Fernando Rodrigues (Poder 360), Carlos di Franco (O Estado de S. Paulo), Leonardo Cavalcanti (Correio Brasiliense), Rufolgo Lago (Istoé), Paulo Enéias (Crítica Nacional) e Rui Fabiano.

Arma
Ainda durante o café da manhã, Jair Bolsonaro afirmou que dorme com uma arma ao lado de sua cama, no Palácio do Alvorada. Segundo ele, há riscos no Alvorada, apesar do esquema forte de segurança. Com isso, Bolsonaro disse que só consegue dormir sabendo que tem uma arma ao seu lado.
A declaração foi dada antes da divulgação do episódio em Suzano (Grande SP) no qual dois atiradores deixaram ao menos oito mortos, incluindo seis alunos.
Questionado, o presidente disse que a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, compreende seu gesto de dormir com arma.

O presidente disse ainda que um projeto de lei deve ser enviado ao Congresso tratando do porte de arma. De acordo com o presidente, a regra não pode ser tão “rígida” como atualmente. Ele não deu mais detalhes sobre o texto.

Em janeiro, ele editou um decreto que trata da posse de armas. O texto, entre outras coisas, estende o prazo de validade do registro de armas de 5 para 10 anos e cria pré-requisitos objetivos que precisam ser apresentados a um delegado da Polícia Federal para autorização da posse. (Com informações da FolhaPress)

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