terça-feira, 17 de setembro de 2019.
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"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Câmara discute a Anistia Política que completa 29 anos

terça-feira, 02 de setembro 2008

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Os 29 anos da Anistia Política foram comemorados ontem, no auditório Ademar Arruda, na Câmara Municipal de Fortaleza. O objetivo, segundo o autor da solicitação, vereador José Maria Pontes (PT), foi relembrar e proporcionar um encontro das pessoas que viveram de perto momentos da ditadura militar.
Dentre os convidados estava a ex-prefeita de Fortaleza e deputada Maria Luíza Fontenele, o jornalista Waldemar Menezes, o superintendente da Delegacia Regional do Trabalho, Papito de Oliveira, o presidente da Associação 64/68, Mário Albuquerque, o advogado Tarcísio Leitão, além do convidado especial e palestrante do encontro, Edson Luís de Almeida Teles, que é doutor em Filosofia e professor universitário.

O presidente da Associação 64/68 e também da Comissão de Anistia Vanda Sideaux, Mário Albuquerque, falou que o período está vivo. “Existe a Lei da Imprensa, da Segurança Nacional, e os torturadores ainda estão impunes. Existe, por isso, a compreensão de que alguns setores têm interesse em pressionar para a verdade vir à tona”, relatou, acrescentando que os responsáveis precisam ser punidos.

Na palestra de Edson Luís, que foi uma das vítimas de tortura do regime militar, foi ressaltada a aflição que a ditadura trouxe para muitas famílias. “Em 27 de dezembro de 1972 meus pais que participavam de um encontro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), na Vila Mariana, em São Paulo, foram presos por agentes repressivos. Eu tinha 4 anos e minha irmã (Janaína), 5 anos. Não sabíamos de nada.

Uma tia que morava conosco, que havia participado da Guerrilha no Araguaia, ao tomar conhecimento da prisão dos mesmos, juntou provas e papéis do envolvimento dos meus pais e começou a queimá-los. A minha função era jogar as cinzas no vaso sanitário dando descarga. A minha tia temia que os agentes viriam a nossa casa, o que acabou acontecendo na manhã seguinte onde todos fomos levados ao Departamento de Operações e Informações (DOI) -CODI”, narrou Luís.

Durante o discurso, Luís disse que chegou a não reconhecer sua mãe porque ela estava com o rosto desfigurado após as torturas e que toda sua família foi ameaçada de morte. Após o período que ficou detido, ele e sua irmã foram morar em Belo Horizonte e chegaram a pensar que haviam sido abandonados. Porém, após a libertação da tia, que estava grávida, os irmãos puderam reconstruir os laços familiares, no Rio de Janeiro.

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