domingo, 14 de outubro de 2018.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Camilo: Haddad tem de afastar essa marca do PT

quarta-feira, 10 de outubro 2018

Imprimir texto A- A+

Reeleito no primeiro turno com o maior índice obtido por um candidato a governador neste ano, 79,9% dos votos válidos, o petista Camilo Santana avalia a necessidade do candidato do PT à sucessão presidencial, Fernando Haddad, fazer uma autocrítica partidária.

O governador do Ceará considerou que o gesto é importante para mostrar que o presidenciável petista está disposto a “ouvir” e a “dialogar”. “Ele vai precisar chamar o PSDB e os partidos de direita e de esquerda. O Brasil não pode continuar nisso”, disse.

Camilo sugeriu a Haddad que se coloque como um nome acima do partido, que afaste “um pouco essa marca do PT” e que faça acenos ao mercado, garantindo respeito aos contratos em vigor.
“É difícil avaliar, mas, do jeito que foi, a gente poderia até ter tido uma vitória no primeiro turno. Isso pela força do PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela possibilidade do nome de Ciro Gomes agregar mais o país. Mas ninguém pode prever e agora temos de olhar para frente. Nós vamos fazer de tudo para trabalhar pelo Haddad, mostrar que ele representa o progresso e o futuro do país.

O Bolsonaro representa o retrocesso ao que a democracia conquistou. Agora, precisamos ter uma estratégia muito boa para tentar distensionar o clima do país. A tensão está muito grande entre as duas candidaturas”.

Ainda segundo o governador reeleito, “o Haddad tem de se apresentar não como candidato simplesmente do PT, mas como alguém acima do PT. Tem de se colocar como nome disposto a dialogar com todos os segmentos e unir o país. Ele tem de se colocar como um nome acima do partido, que possa agregar várias forças e tendências políticas no país, que querem o fortalecimento da democracia e não querem o retrocesso.

Já sobre o mercado, Camilo disse que o candidato petista precisa fazer um aceno ao mercado, garantir respeito aos contratos e passar credibilidade. Falando sobre a relação de Haddad com Lula para esse segundo turno, ele disse que “Haddad tem de se apresentar agora como Haddad. O eleitor do Lula vai votar nele de qualquer jeito, isso já se mostrou agora. Os votos recebidos por dele, não vou dizer 100%, mas a grade maioria foi a força do Lula. Agora ele tem de apresentar quem é o Haddad e ter um discurso de união, de diálogo e de distensionamento. É bastante superior o preparo dele comparado ao de seu adversário”.
Ainda sobre a questão da autocrítica, disse que “uma das coisas que sempre considerei que o PT tinha de fazer, defendi até que era importante o partido se recriar e se reinventar, é fazer uma autocrítica de que cometeu erros, não custa nada. Agora, dizer que os acertos foram muito maiores que os erros e que é importante o país ter uma segunda chance. O PT já governou e mostrou que é possível fazer muita coisa boa. Porque há uma decepção de uma parcela da sociedade em relação ao que aconteceu”.

“No discurso dele, Haddad tem de reconhecer que houve alguns erros e que todos os partidos cometem. Acho importante até para mostrar que ele está disposto a ouvir, a dialogar, a ser um homem aberto para aglutinar e somar forças para superar o problema que o país está vivendo”.

Referindo-se aos erros cometidos pelo partido, Camilo disse que “o PT perdeu um pouco a base social dele a partir do momento que foi para dentro do governo. [É preciso] Reconhecer que algumas pessoas do partido cometeram erros que devem ser punidos. É claro que todo mundo deve ter o direito a se defender e ninguém deve ser culpado por antecipação. Mas acho importante dar essa sinalização”, e reconheceu que “por causa dos avanços que o Nordeste teve com o governo do presidente Lula. Isso é inegável.

Instagram

[instagram-feed]

Facebook

Twitter