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Deputado defende Frente em Defesa da Saúde Mental e Combate à Depressão

terça-feira, 11 de junho 2019

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O deputado estadual Evandro Leitão (PDT) sugeriu criar na Assembleia Legislativa uma Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Mental e Combate à Depressão e ao Suicídio. O anúncio foi realizado durante seminário sobre o assunto que ocorreu no Complexo das Comissões, ontem (10).

O parlamentar, que tem projetos tramitando na Casa para instituir políticas públicas de combate à depressão e à automutilação, informou que buscará as assinaturas dos deputados para instalar essa frente.
“Estamos convencidos de que esse é um sério problema de saúde que merece atenção das instituições públicas e privadas. Vamos sensibilizar os deputados com o objetivo de discutir e pensar propostas para combater essa epidemia de forma efetiva”, afirmou Evandro Leitão.

O seminário contou com a participação de acadêmicos, psicólogos, psicanalistas, representantes o Ministério Público (MPCE) e da igreja. De acordo com Maria Ivoneide Veríssimo, membro do Programa de Apoio à Vida (Pravida), a cada 40 segundos uma pessoa no mundo tira a própria vida. No Brasil, são 12 mil ocorrências por ano. O Ceará é o primeiro do Norte e Nordeste em registros de mortes por suicídio.
O promotor do MPCE e membro do projeto Vidas Preservadas, Hugo José Lucena de Mendonça, e o psicólogo Hugo Francisco Ramos Nogueira concordam que é urgente a formulação de políticas para combater a epidemia do suicídio.

Assim como acontece com outros problemas de saúde pública, é preciso haver orçamento específico para enfrentar a questão. Em 2015, por exemplo, enquanto 32 pessoas morreram no Ceará em decorrência da dengue – que tem estratégia e verba específica para enfrentamento –, 563 cidadãos praticaram suicídio, disse Hugo Mendonça. Outro ponto é enfrentar o tabu. “Temos de fazer com que a sociedade cearense fale sobre suicídio, mas que fale de uma maneira correta”, afirmou o promotor.

A psicoterapeuta que atua no Departamento de Saúde da Assembleia Legislativa, Lorena Maria Rios de Figueiredo, afirmou que é preciso haver uma maior integração entre escolas, centros de assistência social, unidades básicas de saúde e outras instituições para que o problema possa ser tratado de forma efetiva na sociedade.
Membro do Laboratório de Estudos em Psicanálise, Cultura e Subjetividade, Thais Lia Castro Leite contou que o problema da automutilação é uma discussão recente. Ela explica que as pessoas que sofrem com o problema geralmente estão buscando um lugar no mundo, mas não necessariamente querem praticar suicídio ou têm depressão. O diagnóstico, portanto, tem de ser diferenciado. Segundo Thais, a prática atinge jovens, principalmente meninas.

Especialista em prevenção e posvenção, o padre Carlos Alberto Holanda Martins declarou que 40% dos LGBTs (sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e outras expressões de gênero) sofrem de depressão. Entre 2017 e 2018, o percentual de suicídio entre lésbicas aumentou 52% e entre gays, 45%. “A piora nesse cenário é por conta do reforço de ideias do tipo ‘prefiro um filho morto a um filho gay’. Precisamos acolher essas pessoas para evitar essas mortes”, afirmou.

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