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Deputados cobram ação contra ataques a ônibus

sexta-feira, 21 de abril 2017

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Deputados estaduais se revezaram no microfone da tribuna para comentar os ataques a ônibus na capital cearense e na Região Metropolitana, que começaram na quarta-feira (19) e continuaram durante o dia de ontem. O assunto também dominou as rodas de conversas nos bastidores. Isto porque criminosos ameaçaram atear fogo nos prédios públicos do Estado, como Assembleia Legislativa e Secretaria da Segurança Pública, caso o Governo do

Estado mantenha a transferência de detentos no sistema prisional. Apesar do clima de tensão, o expediente na AL aconteceu normalmente.
O líder do governo do estado na Assembleia, deputado Evandro Leitão (PDT), afirmou que, assim que tomou conhecimento da série de ataques a coletivos ocorridos em Fortaleza, o serviço de inteligência da polícia iniciou um trabalho para contornar a situação. “Ontem mesmo iniciaram as buscas pelos responsáveis e os ônibus voltaram a normalidade. Não é justo desqualificar o Governo, que está enfrentando de forma combativa o crime no Estado”, frisou ele, acrescentando que as ações foram uma tentativa de intimidar o governador Camilo Santana e o secretário da Segurança Pública e Defesa Social, André Costa.

“O governador Camilo fez, em dois anos, diversas ações de enfrentamento ao crime organizado e, mesmo com as retaliações dos criminosos, afirmou que não vai retroceder em nada nas atitudes de combate ao crime”, disse, ressaltando ainda que, “quando o secretário de Segurança assumiu, causou insatisfação nos criminosos”.

Já Dr. Santana (PT) considerou que o momento “crítico” da segurança pública no Estado exige reflexão e serenidade de todos os cearenses. Para o parlamentar, não é correta a tentativa de responsabilizar o Governo pelos casos de violência registrados. A parlamentar também comentou sobre as ameaças de bombas à Assembleia, divulgadas por criminosos.

“Quanto à tentativa de intimidar esta Casa, precisamos dizer, de forma clara, que nós não vamos nos intimidar, e para isso precisamos fazer a nossa parte, nem que seja instalando aqui o pedido de CPI para investigar o crime organizado e o narcotráfico”, pontuou.
O deputado Leonardo Pinheiro (PP), por sua vez, reforçou que, infelizmente, o Ceará faz parte de um contexto nacional de insegurança pública. “Todos sabem do contexto que o País está inserido em relação às mazelas que tem nos afetado, e o Ceará também é atingido por esta situação. Mas temos que ter o mínimo de senso de coerência e justeza para reconhecer as importantes e relevantes ações que o governo estadual tem tomado no combate à criminalidade”, avaliou Pinheiro.

Frouxo
O deputado Capitão Wagner (PR) chamou o Governo de “frouxo” e afirmou que a atual política de segurança não vai gerar resultados melhores. Além disso, criticou a falta de um plano de segurança pública para o Ceará, e cobrou a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico.
Embora tenha elogiado a postura do secretário da Segurança, André Costa, mas considerou que ele “sozinho não consegue resolver o problema da violência”. Conforme observou, “a política está sempre em primeiro plano, inclusive nas ações policiais”, citando um caso ocorrido em Mulungu.
Wagner criticou também o discurso de parlamentares, que, segundo ele, “defendem que não se pode culpar o governo pelos atos violentos de ontem”, mas “na hora de votar matérias importantes para a segurança do Estado, fogem”.
Para Renato Roseno (PSol), é necessário investir em ações de inteligência para combater a criminalidade no Estado. “É necessário juntar as inteligências. Em 2005 e 2006, Fortaleza era a 19° cidade mais perigosa do mundo. Hoje, somos, o 1° ou 2° com maior periculosidade”, ressaltou ele, pedindo a presença do secretário da Segurança, André Costa, e da Justiça, Socorro França, na Assembleia Legislativa para debater com os deputados.

“Desmontado”
O deputado Heitor Férrer (PSB) também não poupou críticas ao Governo do Estado. Ele chegou a afirmar que o Ceará está “desmontado”. De acordo com o parlamentar, o próprio Estado comete atos de violência, quando não oferece segurança à população e deixa de prestar atendimento aos pacientes da saúde pública.

Terrorismo
O deputado Fernando Hugo (PP), aliado de Camilo Santana, saiu em defesa das ações tomadas pelo Executivo e afirmou que, hoje, o secretário da Segurança possui apoio do Governo. “O sistema de inteligência está fazendo a sua parte, enquanto estados mais ricos, que tem muito mais policiais que ajudam na paz social, não conseguem enfrentar seus problemas de segurança. Por isso, não é adequado usar a tribuna agora para oportunisticamente tirar proveito desses fatos”, disse.
Já o deputado João Jaime (DEM) classificou os acontecimentos de “atos terroristas”. “Prender somente esses garotos de 16, 17 anos, não vai resolver o problema. Tem de chegar aos mandantes que estão apavorando a cidade de Fortaleza”, avaliou ele.

Camilo rebate Wagner: é “coisa de moleque”

O governador Camilo Santana (PT) classificou como “coisa de moleque” e “oportunismo” as críticas feitas pelo deputado Capitão Wagner (PR) na Assembleia Legislativa, após a onda de ataques a veículos e prédios em Fortaleza e Região Metropolitana.
À imprensa, Camilo ressaltou que as ações criminosas são uma reação às medidas que o governo estadual tem adotado na luta contra o crime organizado. “Isso é coisa de moleque. Acho que se aproveitar do momento pra querer tirar vantagem política, eu não vou entrar nesse jogo. Agora, frouxo é quem nunca pegou uma arma e nunca foi combater um bandido no Ceará. Isso é frouxo”, disse Camilo.

Secretário
Em tom mais ameno, o secretário de segurança, André Costa, afirmou que as declarações de Wagner estão “equivocadas”, pois, segundo ele, “toda ação é apoiada pelo governador, pois tem investido na segurança. Não haveria uma secretaria forte, sem ação do Governo”.

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