domingo, 16 de dezembro de 2018.
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Deputados repercutem chacina no Benfica e cobram ações eficientes

terça-feira, 13 de março 2018

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“Esse episódio de violência no bairro Benfica é mais um fato muito grave, inaceitável, e que desafia o sistema de segurança e justiça”. A declaração é do governador Camilo Santana ao comentar, nas redes sociais, sobre a chacina no bairro Benfica que deixou sete mortos na noite da última sexta-feira (09). O tom de indignação é semelhante ao de deputados de oposição. A diferença aparece, apenas, no momento de apontar as falhas.

Para o deputado Capitão Wagner (PR), líder da oposição na Assembleia Legislativa, a gestão estadual tem sido omissa quanto aos episódios de violência registrados nos últimos meses. “O que a gente tem visto é que, infelizmente, o discurso não muda. O Governo do Estado lamenta, mas não age”.

Reprodução

Wagner pondera que o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, “agiu de forma correta” quando decidiu cancelar viagem que faria para o exterior e chamou vereadores e secretários para discutir ações no combate à violência. “Mas o governador [Camilo Santana] não chama a Assembleia Legislativa para discutir”, reclama o parlamentar.

Para o deputado, as ações promovidas até o momento não serão suficientes para conter os crimes. “A gente fica temendo e só aguardando, infelizmente, o próximo fato acontecer”, disse para, em seguida afirmar que “está à disposição do povo cearense e do Governo do Estado para tentar ajudar e colaborar com essa solução”.

Grave
Nas redes sociais, Camilo ponderou que a situação é grave, mas que o Estado não está inerte. “Assim como aconteceu no crime das Cajazeiras, quando onze envolvidos foram colocados atrás das grades, inclusive o mandante. A polícia do Ceará dará uma resposta rápida. Temos a real compreensão da gravidade da situação. Tanto que tenho investido como nunca na segurança e trabalhado noite e dia. Infelizmente há uma falha geral do sistema, que envolve também as leis e a justiça. Mas não se pode conceber tanta impunidade. Nunca a polícia trabalhou tanto; prendeu tanto. E o que vemos são casos e mais casos de criminosos de alta periculosidade que matam, roubam e traficam e são soltos por medidas judiciais. Já agem na certeza da impunidade. Isso não pode continuar dessa forma”, escreveu o governador.

Rigor
As declarações de Camilo, no entanto, não convenceram o deputado Heitor Férrer (PSB). Integrante da oposição, o socialista diz que os números oficiais atestam o “fracasso” da atual gestão no combate ao crime organizado.

“Vivemos uma escalada da violência no Ceará durante o governo Camilo Santana. Batemos recorde de assassinatos em 2017 e, em apenas três meses de 2018, os números são ainda mais alarmante. É um certificado de fracasso total do Governo no combate à violência”, dispara Férrer.

O deputado ainda avalia que a impunidade e a ausência de alternativas preventivas têm contribuído para o avanço do problema. “Enquanto não reprimir severamente o crime, punir com rigor os criminosos, sem esquecer de quebrar os mecanismos geradores da violência com a implantação de políticas públicas como escola fundamental em tempo integral, moradia popular, saneamento básico, lazer, esporte, emprego e renda, vamos continuar enxugando gelo no combate à violência. Nem o Exército resolverá”, afirma.

Na mesma linha, o deputado federal Chico Lopes (PCdoB-CE) manifestou indignação diante de mais uma chacina registrada em Fortaleza. “Exigimos providências rápidas, com a devida investigação do caso e responsabilização dos culpados, perante a Justiça. E com a garantia de maior presença do Estado, com serviços públicos de qualidade, opções de educação, cultura, esporte, formação e trabalho, perspectivas de vida reais e atraentes a todos”, afirma o parlamentar ressaltando que a maioria das vítimas era composta por jovens. “Mais uma vez, estes são o alvo fácil e preferencial. Pessoas que têm sua vida bruscamente interrompida, em plena praça pública, com o crime mandando recado para que todos desistam do direito à cidade, à liberdade, ao lazer, à convivência, à própria existência em sociedade”, enfatiza.

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