domingo, 19 de maio de 2019.
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Segurança motiva debate entre base e oposição na AL

quinta-feira, 14 de março 2019

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A Segurança pública voltou a dominar o debate no plenário da Assembleia Legislativa. Na sessão de ontem, o deputado Soldado Noélio (Pros) defendeu a necessidade de melhorias na área e o reconhecimento dos profissionais. Segundo o parlamentar, no interior do Ceará, a segurança é “extremamente deficiente”, sem estrutura e sem profissionais suficientes. “Já cheguei a presenciar cinco viaturas paradas por falta de policial em Canindé”, afirmou.

Integrante da oposição ao governo estadual, o deputado salientou que grande parte dos profissionais policiais estão desmotivados por conta dos baixos salários. “O salário do policial civil é uma vergonha nacional. O Governo precisa investir nesses trabalhadores que arriscam suas vidas em prol dos outros”, disse.
Soldado Noélio denunciou, ainda, que existem policiais “trabalhando por 15 dias seguidos e sem nenhum reconhecimento”. “Não adianta investir em prédios para estes ficarem vazios. É preciso reconhecer o profissional. Existe promessa de revisão na lei das promoções e estamos esperando. Queremos uma resposta de quando o Governo vai reconhecer os policiais”, reclamou.

Mesmo reconhecendo que o governador Camilo Santana viabilizou muitas promoções aos policiais militares, Noélio disse que o chefe do Executivo não ajustou os salários com a reposição inflacionária. “Os policiais estão fazendo hora extra para ganhar o tanto que eles deveriam estar ganhando com a carga horária normal, e agora até as horas extras foram retiradas”, disse.

Ele acrescentou que alguns parlamentares podem estar sendo “mal informados”. “Eu não sei que tropas satisfeitas são essas com quem alguns deputados conversam. Devem ser de outros estados, porque as tropas com quem eu dialogo estão desesperadas, pois a inflação engoliu boa parte de seus salários”, afirmou.
Farda
O parlamentar também defendeu a “segurança de policiais militares no Ceará, que vão prestar depoimento em audiência”. Segundo ele, a portaria que desobriga os profissionais da segurança a se deslocarem fardados para as audiências foi revogada. “Houve casos em que policiais foram vítimas de assaltos e assassinatos. Ao ir depor ele se desloca da sua casa, sozinho, fardado”, relatou.

Noélio argumentou que, além de o policial não estar em serviço, o que importa, na avaliação dele, é o conteúdo revelado em audiência e não o fardamento. “A sua farda é importante no seu serviço na rua, no operacional”, disse, sugerindo a retaguarda a esses profissionais.
Na mesma linha, o deputado Delegado Cavalcante (PSL) avaliou que, apesar dos investimentos feitos pelo governador Camilo Santana, a questão da segurança pública ainda é um problema muito sério em todo o Estado. O parlamentar apontou carências na Polícia Civil cearense. “A Polícia Civil não tem uma organização básica, a maioria das coisas lá é feita no empírico, além de faltar pessoal e estímulo para os profissionais”, lamentou.
Para ele, a pressão e a carga de trabalho são muito grandes para os policiais, e a qualificação salarial não é digna da responsabilidade e do risco de vida que eles enfrentam.

Contraponto
Em contraponto às críticas, o deputado Walter Cavalcante (MDB) pediu dados “fundamentados” sobre as denúncias levantadas pelo deputado Soldado Noélio (Pros) sobre a carga horária de policiais militares no Estado.

Como vice-líder do Governo na Casa, o parlamentar se colocou à disposição para averiguar a veracidade das denúncias e tentar resolver a situação dos policiais. “Seria bom que o deputado trouxesse dados para que a gente pudesse trabalhar. Tenho maior interesse do mundo, como vice-líder do Governo, em dados e informações para que a gente possa esclarecer. A política dessa nova liderança é dialogar com o deputado para mostrar não só o que o governo está fazendo, mas se as denúncias têm fundamento legal ou se é só palanque político”, disse.

Na mesma linha, o deputado Acrísio Sena (PT) disse que, mesmo diante da crise, o governo do Estado investiu cerca de R$ 2 bilhões na segurança pública. Ele citou a promoção de policiais, modernização da frota e pagamento por metas alcançadas. “Ainda é pouco para os desafios, mas essa guerra o Governo está vencendo”, disse.

Recompensa
Já o deputado Vitor Valim (Pros) afirmou que a Lei da Recompensa não funciona. Segundo o parlamentar, ele teria entrado em contato com a Casa Civil, a Casa Militar, a Ouvidoria do Governo do Estado e o próprio Disk Denúncia e não obteve explicações sobre o funcionamento da Lei. “Ninguém sabe informar como e, além de tudo, quando tentamos fazer uma denúncia, não recebemos nenhum número de protocolo para controle e acompanhamento”, reclamou.
Sobre o assunto, o vice-líder do governo explicou que é preciso ter fundamento na denúncia para que possa fazer valer a Lei da Recompensa, que prevê pagamento para quem fornecer informações que possam levar à prisão de autores de ataques no Estado. “Não se pode pagar uma coisa sem antes ter certeza de que o fato aconteceu ou não”, ponderou. Ele destacou o compromisso do governador Camilo com a corporação militar, promovendo mais de 15 mil policiais com os quais gastou R$ 98 milhões.

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