domingo, 20 de Maio de 2018.
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Sessão acaba em bate-boca entre Wagner e Leitão

quarta-feira, 16 de Maio 2018

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Um bate-boca entre os líderes do governo, Evandro Leitão (PDT), e da oposição, Capitão Wagner (Pros) marcou a sessão de ontem, no plenário da Assembleia Legislativa. A discussão começou depois que Wagner ocupou a tribuna para rebater o pronunciamento de Leitão e afirmar que confia no trabalho da polícia para a dedução dos números referentes a assassinatos e crimes violentos no Ceará.
“Eu confio tanto na polícia que não tive medo de solicitar a CPI do Narcotráfico”, provocou Wagner. O parlamentar foi interrompido por gritos de Evandro Leitão que alertava: “Deixe de coisa rapaz”
Wagner retrucou: “Não foi isso não que você falou?”, e foi novamente interrompido: “Você me respeite”, bradou Leitão.
O líder da oposição insistiu: “Eu tô lhe respeitando. Me respeite também. Do jeito que você pode falar de mim, eu posso falar de você também. Só porque é líder do governo não é melhor do que ninguém não”.

O clima esquentou e Leitão, visivelmente irritado, atacou: “Me respeite. Você que é frouxo, rapaz. Você é frouxo”.
Wagner aproveitou para desafiar o líder do governo: “Ai, sou? Pos vamos abrir a CPI”. Neste momento, assessores tentavam acalmar os ânimos, quando Leitão respondeu com um “vamos”, sobre a abertura da CPI do Narcotráfico. O oposicionista retrucou imediatamente: “Ai, criou coragem agora? A mocinha criou coragem?”, disse, provocando, enquanto Evandro Leitão repetia, sem parar: “Você é um frouxo”.
O deputado Manoel Duca, que presidia a sessão no momento do bate-boca, reagiu: “Vamos acalmar os ânimos aí. Está constatada a não existência de quórum. Vamos encerrar a presente sessão”, encerrou Duca contando apenas 10 deputados presentes em plenário, quando seriam necessários, no mínimo, 16 parlamentares para a continuidade da sessão.
A confusão, no entanto, foi para os bastidores. Evandro Leitão deixou o plenário instigando Wagner a “resolver” o problema “lá fora” e disparou: “esse cara tá passando dos limites. É um mentiroso”, afirmou. Assessores e funcionários da Casa se apressaram em acalmar os dois e evitar o “encontro” dos parlamentares.

Discursos
Antes da discussão, Evandro Leitão (PDT) elogiou o trabalho da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado pela redução de 14,9% dos crimes letais e intencionais em Fortaleza. Os números foram divulgados pela Secretaria, informando também a redução de 2,6% do mesmo tipo de crime em todo o Estado, comparando 368 casos em abril deste ano com 378 em abril de 2017.
Para o parlamentar, a redução é resultado do trabalho da Polícia Civil e Militar cearense, sendo este, portanto, o momento de reconhecer todo o esforço e dedicação desses profissionais. Ele acrescentou ainda que, junto ao trabalho da Polícia, figuram também ações preventivas do Governo do Estado, como as escolas de tempo integral e areninhas.

Evandro Leitão criticou a afirmação sobre a relação da redução de crimes com a incidência de chuvas em Fortaleza. “Muito me estranha que colegas deputados creditem às chuvas a redução de crimes no Ceará. Nossos homens estão nas ruas colocando suas vidas em jogo. Dizer algo assim é menosprezar todo esse trabalho”, avaliou.

Em resposta, o deputado Capitão Wagner (Pros) considerou insuficiente o combate ao crime organizado no Estado e apontou a falta de controle do Poder Executivo nos presídios cearenses. Para o parlamentar, “é lamentável que facções e bandidos sigam mandando no Estado sem nenhuma providência efetiva tomada pelas autoridades”.

De acordo com o deputado, se o Estado sinaliza com a retirada de alguma regalia dos presos do sistema penal, estes se reúnem, utilizam aparelhos celulares dentro dos presídios e comandam a realização de atos criminosos nas ruas. “Quem manda nos presídios cearenses são as facções, porque o Estado perdeu o controle total da situação prisional e passa a negociar com os líderes destes grupos, que não merecem o respeito de ninguém”, avaliou Capitão Wagner.
O deputado também questionou dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), na última sexta-feira (11), que mostram redução de homicídios em Fortaleza durante o mês de abril, se comparado com o mesmo período de 2017.

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