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A espiritualidade cura?

Bosco Nunes -Auge

Colunista - Viver

domingo, 25 de fevereiro 2018

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Quanto maior a gravidade de um problema, maior o sofrimento. Certo? Errado!

Muitas vezes vemos pessoas em determinadas situações que nos parecem absurdas de tão cruéis. Questionamos como aquele colega de trabalho é capaz de passar por aquilo e ainda manter a alegria de viver. Ou, outras vezes, vemos um familiar fazer coisas tão pequenas tornarem-se problemas hipervalorizados mesmo nos parecendo algo banal.

O que acontece, eu explico de duas maneiras que se relacionam:

A primeira é que cada situação tem algo que eu chamo de potencial de estresse” que é a capacidade que a situação tem de oferecer estímulos, mas estes não necessariamente se manifestam em sua totalidade. Para entender melhor, imagine, como exemplo, um chuveiro. Como os outros ele traz uma vazão específica de água que pode ser obtida, mas ainda que cada um tenha esse potencial próprio de liberação de água, é você quem comanda, abrindo menos ou mais essa passagem de água.

Desta mesma forma são as situações da vida, cada uma pode nos oferecer alegrias ou sofrimentos, mas somos nós com nossas mentes e formas de encará-los que vamos “regular” quanto e o que iremos receber. Melhorando ou piorando nossa qualidade de vida.

A segunda é que cada um de nós tem um “limite ao estresse” próprio que indica quanto é possível suportar da carga de dor/estresse (e até de alegria). E isso vai variar ao longo da vida, com a experiência, com o conhecimento e de acordo com a natureza do problema (uma mãe sofre muito mais com a dor de seu filho recém-nascido entubado do que com ela própria acamada por uma enfermidade).

Não existe uma maneira de mensurar ou precisar esse limite de estresse, mas sabemos que um dos fatores que mais interfere para ampliação dele é a espiritualidade.

Por isso, é comum que em um momento de grande dificuldade aflore, ainda mais, essa espiritualidade em nós. Isso é uma estratégia inconsciente (ou consciente) que nos dá forças e esperança para superar desafios.

Já deu pra ter uma noção da resposta para o título, não é? Mas vamos ser mais específicos. Além disso, pode ter alguém lendo isso e pensando “nunca precisei dessa tal espiritualidade pra passar por problema nenhum na minha vida. Não preciso disso.”  Não é incomum aparecerem pacientes com essa visão, inclusive essa frase é relato de um deles. Então, é sempre bom esclarecer…

Espiritualidade é uma expressão para designar a totalidade do ser humano enquanto sentido e vitalidade. Espiritualidade é cuidar do nosso interior fortalecendo nossa mente. (Livro Espiritualidade e Qualidade de Vida / Revista eletrônica A Mente é Maravilhosa).

Espiritualidade não é religião ou doutrina! 

É comum confundir a questão, mas a religião é apenas uma entre inúmeras maneiras de manifestarmos nossa espiritualidade. Espiritualidade é autoconhecimento promovendo autodesenvolvimento continuadamente.

E o que a frase daquele paciente é? Manifestação da espiritualidade! Distorcida ou incipiente, talvez, mas uma bela representação do poder da espiritualidade.

O bacana, me permitam falar assim, da espiritualidade é que ela traz um ciclo virtuoso bastante interessante e que eu gosto de representar da seguinte forma:

Então, sabendo que no Processo Saúde-Doença temos um potencial de estresse elevado instalado, podemos entender que por instinto a nossa mente vai buscar estratégias para combater a dor e o sofrimento. Esse é o “potencial de proteção”  que trazemos. E, uma via rápida para tal é a espiritualidade.

Ora, se eu fortaleço minha mente eu me blindo de duas maneiras. Primeiro, ampliando meu limite de estresse, o que aumenta minha resistência; e segundo fortalecendo o meu organismo para uma melhor recuperação.

Uma terceira visão e talvez a mais delicada é de que o desenvolvimento da espiritualidade possibilita uma melhor aceitação do que não podemos modificar.

Assim, Ela é necessária para pacientes, amigos e familiares, promove melhor adaptação às situações de estresse e desenvolve  competências do ser-humano de cuidado à vida; auxiliando na recuperação (e na prevenção) de doenças.

Então, respondendo, a espiritualidade não apenas auxilia no processo de cura, mas também no de prevenção.

A questão é tão forte que a dimensão espiritual é inclusa hoje no conceito internacional de saúde (segundo OMS) e configura-se em um dos maiores desafios da Medicina Tradicional (os métodos, os profissionais e o sistema), que não a enxerga como um cuidado prioritário.

Isso faz com que, infelizmente, ainda, na maioria dos casos, a espiritualidade seja abordada pelos profissionais de saúde de forma análoga à clandestina, pois não existem ações concretas e formais que legitimem a inserção da mesma nos atendimentos.

Em contraponto à essa questão, temos o surgimento da Medicina Complementar ou Integrativa, que baseia-se justamente nessa totalidade do ser e de suas necessidades. Isso é outro assunto que fica para uma próxima conversa, mas que me leva a finalizar este texto com mais uma reflexão:

Se é sabido que a doença pode alterar condições biológicas, psicológicas, sociais e espirituais, como não incluir a espiritualidade como parte do tratamento?

Abraços e gratidão!

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