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A fábula de George Orwell e a vida de hoje

João Soares Neto

Colunista - + SUPLEMENTOS

sexta-feira, 09 de março 2018

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“A sabedoria chama lá fora, pelas ruas levanta a tua voz”. Provérbios 1:20

Eric Arthur Blair nasceu em 1905, na Índia, ocupada pela pátria de seus pais, ingleses. Vivia em condições privilegiadas em país miserável, dividido em castas e com credos distintos religiosos. Eric viu bem cedo o que acontecia na prática, com as injustiças sociais perpetradas pelos detentores do poder. Era leitor voraz, desde Dickens, Shakespeare, Karl Marx e o que se lhe aprouvesse.
Com as escaramuças pela libertação da Índia, a família Blair volve à Inglaterra e Eric, além de estudar, ingressa na imprensa, com sentimentos anarquistas, participando, inclusive, da Guerra Civil Espanhola, que antecede à Segunda Guerra Mundial. Foi nesse cadinho que surgiu o seu pseudônimo de George Orwell, pelo qual seria conhecido e admirado.
As suas duas obras mestras são a sátira política “A Revolução dos Bichos” (The Animal Farm), sobre a qual falarei abaixo, e “1984”, uma distopia em que a regra é “O Grande Irmão está vigiando você”. Hoje, somos todos vigiados por câmeras nas ruas, os nossos telefones indicam os nossos passos e as nossas conversas podem ser captadas por “hackers” ou por ordem judicial. Ele anteviu isso.
Na minha (des) informação literária, caótica e multifacetada, a “Revolução dos Bichos” causou-me, há tempos, impressão singular, mesmo sabendo da mente anárquica do autor na análise do socialismo russo, na fase stalinista, A história, na verdade uma fábula, parece singela, mas é complexa. O velho Sr. Jones possuía a Granja do Solar (The Manor Farm). Nela viviam animais de várias espécies, entre as quais um porco (o Velho Major) que, em sonho, viu uma revolução contra o domínio do Sr. Jones, na qual os bichos seriam autossuficientes, sem tutela alguma, criando um governo igualitário. O Sr. Jones morre.
O livro é cheio de metáforas. Além do Velho Major, inspirado em Karl Marx, surge Bola-de-Neve, outro porco, que possuía um assistente de sua raça, chamado Napoleão. Há traições e vinganças.
Após cinco anos de dominação, Napoleão convence os outros animais de que o realizado era para o bem comum e fala no “sonho de poder”. O livro é pleno de embustes, traições e mudanças de regras. O animal “Garganta” possuía argumentos convincentes e pregava a união contra a dominação pela força bruta, a tortura e até o uso de cães treinados para matar.
O fato é que a abominada casa da fazenda virou, “apenas por algum tempo”, centro das decisões dos animais que dominavam os demais. Disseminara-se a ideia de que se você andava com duas pernas, bípede humano, era alguém de má natureza.
As regras do “Animalismo” continham sete princípios: 1. Os bípedes são inimigos; 2. Quem possui 4 patas e asas é amigo; 3. Nenhum animal usará roupas; 4. Nenhum dormirá em cama; 5. Ninguém beberá álcool; 6. Nenhum animal matará outro animal; 7. Todos os animais são iguais.
Neste momento, em que a grande “Fazenda Brasil”, está em plena convulsão social, ainda não transformada em luta fratricida, é bom que aprendamos algo com a fábula de Orwell. O que seria? ”Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que os outros”.

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