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A nova taxa

Rubens Frota

Colunista - Economia

sexta-feira, 23 de março 2018

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A nova queda da taxa de juros, que ontem desceu mais um degrau – de 6,75% para 6,50% ao ano -, pode ser o empurrão que faltava para chacoalhar, de vez, o investidor que ainda hesita em se aventurar por aplicações um pouco mais arrojadas. O declínio da Selic ao longo dos últimos 18 meses esmagou a rentabilidade de boa parte da renda fixa – refúgio do conservador investidor brasileiro. Produtos que antes eram sinônimo de ganho fácil, como Tesouro Selic, CDBs e fundos DI, agora praticamente se igualam ou até perdem para a poupança, instigando até os mais cautelosos a dar os primeiros passos na renda variável. Segundo levantamento da Anefac, fundos de renda fixa só ganham da caderneta de poupança quando a taxa de administração é menor que 1% ao ano, seja qual for o prazo do resgate.

A poupança
Nos fundos com custos de 1,5% ao ano, a poupança só perde em resgates após dois anos. A poupança agora sai na frente desses produtos, pois é isenta de imposto de renda. De acordo com cálculos do professor de Finanças da FIA Alexandre Cabral, descontado o IR, uma aplicação de R$ 1 mil num CDB de um banco de grande porte que rende 85% do CDI (taxa que anda de mãos dadas com a Selic) ou num fundo DI com taxa de 1% pagaria, em um ano e meio, R$ 1.044 – ligeiramente abaixo da poupança. A prateleira dos investimentos mais conservadores só fica mais interessante ao se olhar produtos de bancos menores – que, por apresentarem mais risco, oferecem um ganho maior, com rendimento acima de 100% do CDI. O ideal é procurar fundos com taxas de até 1%, mas isso é extremamente difícil para o pequeno investidor, que tem pouco capital”, observa Juliana Inhasz, professora de Finanças do Insper. Quem procura boas oportunidades deve olhar para bancos menores ou ir para investimentos mais arriscados.”

Renda fixa
O achatamento dos ganhos da renda fixa, aliado ao bom desempenho da Bolsa, motivou o investidor a dar o pontapé na renda variável. “Esse movimento deve se intensificar porque os juros devem ficar nesse patamar por pelo menos um ano e, quando voltarem a subir, não serão mais tão altos”, avalia Martin Iglesias, especialista em investimentos do Itaú-Unibanco. Ele ressalta que a renda fixa continua sendo importante para a composição do portfólio, em maior ou menor grau a depender do perfil – sobretudo para a reserva de emergência, que pede produtos de maior liquidez. Porém, Iglesias diz que, inevitavelmente, o investidor terá de se familiarizar com produtos de maior risco. “Temos uma visão muito positiva para o mercado de ações, vinculado ao crescimento do consumo e à redução do custo financeiro das empresas”, diz. “Quem não tem muita experiência pode começar com fundos de ações ou multimercados, que tiveram crescimento expressivo no ano passado.” Ele observa que, em meio a incertezas de ano eleitoral, é ainda mais importante diversificar o portfólio. “Uma carteira diversificada vai conseguir capturar esse movimento positivo e as boas oportunidades, mas também proteger da volatilidade.”

Crédito
A demanda por crédito do consumidor caiu 8,1% em fevereiro, ante janeiro, já descontados os efeitos sazonais, conforme o indicador da Boa Vista SCPC. Por outro lado, frente a igual mês de 2017, houve crescimento, de 8%, assim como no acumulado em 12 meses, que mostrou avanço de 2,8% na procura por crédito. A queda na comparação mensal foi generalizada entre os segmentos com o financeiro recuando 9% e o não financeiro caindo 7,5%. Apesar da demanda menor por crédito em fevereiro ante janeiro, a Boa Vista segue avaliando que a perspectiva é de elevação. “Com as recentes melhorias nas perspectivas de juros e inflação, a tendência é a continuidade da retomada do indicador”, avaliou em relatório.

Taxa extra
O TCU concluiu que a inclusão das bandeiras tarifárias na conta de luz, que aumentam o preço da energia conforme a falta de chuvas, não tem cumprido sua missão básica: inibir o consumo. Antes disso, o que de fato tem ocorrido é o aumento da arrecadação do setor.

Não resolve
A hipótese já tinha sido levantada pela área técnica do tribunal no ano passado, quando decidiu analisar a cobrança extra. Pelas regras atuais, há quatro bandeiras em vigor. Na bandeira verde, não há taxa extra. A amarela custa R$ 2,00 para cada 100 quilowatts consumidos. Esse valor sobe para R$ 3 na bandeira vermelha “patamar 1” e para R$ 3,50 na bandeira vermelha “patamar 2”.

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