segunda-feira, 25 de março de 2019.
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Brumadinho: reprise de uma tragédia anunciada

Macário Batista

Colunista - Política

quinta-feira, 07 de fevereiro 2019

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O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, insistiu em demonstrar seu despreparo em artigo publicado pela Folha, dizendo que as investigações das causas não são importantes face às vítimas fatais. A continuar assim, novos desastres produzirão mais vítimas, sem que se investigue as causas e assim por diante, num ciclo vicioso sem fim. Na semana, por meio de diferentes abordagens, Marcelo Leite, Elio Gaspari e outros escreveram que o novo governo está tecendo a mortalha de muitas outras tragédias. Denunciam como congressistas e membros do Governo receberam milhões das mineradoras em doações para as suas campanhas, constituindo no Congresso e no Governo uma nova bancada, a “Bancada da Lama”, que precisa urgentemente de uma “Operação Lava-Lama”. Muitos agentes governamentais vêm dizendo que as populações de Brumadinho e Mariana estão preocupadas com uma eventual perda de empregos. Esse argumento irresponsável persiste, pelo menos ,desde a abolição, quando milhares de escravos libertos provocariam o caos na economia e na sociedade. E Ricardo Salles continua tocando uma missa de uma nota só, dizendo que é preciso colocar foco, recursos e pessoal no que “importa”. Ele responsabiliza governos anteriores por não fiscalizar direito o que “importa”. Pelas declarações anteriores, as propriedades rurais não precisam ser fiscalizadas, indústrias podem se autodeclarar limpas e mineradoras podem dizer que não fazem mal à sociedade até o momento em que causam tragédias world class. O Governo instituiu um Conselho Ministerial com o poder de apenas “propor” e “recomendar” ações. A composição inicial do conselho não incluiu os ministérios da Justiça e da Economia. E, pelo menos até agora, a medida mais concreta mencionada pelo grupo foi recomendar a realização imediata de fiscalizações em barragens com risco de dano potencial alto.
É a típica ação da “Bancada da Lama:” fazer espuma para não comprometer as receitas que a sustentam. Marcos Lisboa reconta a história da explosão do ônibus espacial Challenger e o esforço de parte da comunidade espacial para abafar o ocorrido. Ele diz que “afinal, segundo muitos, como houve tragédia, alguém deve ter cometido crime. Basta prender os culpados. Dispensa-se a investigação técnica e vereditos são emitidos com a rapidez de uma cartomante. As tragédias merecem maior cuidado e ciência para que se previna a ocorrência de novas vítimas.” Ambos, investigação técnica e vereditos, são essenciais para o bom funcionamento das instituições. A Vale e a Samarco são tão responsáveis pelos desastres quanto a Nasa foi pelo desastre da Challenger. Não foram “acidentes” da natureza.

É o mundo todo
O Presidente recem-eleito do Senado é investigado em dois inquéritos no Superior Tribunal de Justiça. O nome do moço é Davi Alcolumbre. Esse “alcolumbre”, traduzido ao pé da letra seria “luz de alcool?”.
Uma frase
“Grande política de combate à violência é escola em tempo integral”. Isso foi dito pelo governador Camilo Santana, em discurso aos deputados, prestando contas de 2018 e fazendo as projeções para 2019.
Dedicação
O ex governador Gonzaga Mota, hoje totalmente dedicado à literatura, ampliou seu projeto de mini bibliotecas em escolas e/ou instituições beneficentes de Fortaleza. Para crianças e jovens o projeto do nosso Totó doa livros.
Sabedoria
Adauto Araújo é vereador em Juazeiro do Norte. Piadista e contador de causo. Pediu voto numa casa da periferia e a dona mais que depressa pediu também: – Seu Adauto, o senhor pode me arrumar um milheiro de tijolo? Adauto foi rápido no gatilho- Se não tiver muito espalhado, arrumo ligeiro pra senhora.

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