sábado, 25 de fevereiro de 2017.
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João Soares Neto

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De tanto ouvir, passo adiante o que me pedem

sexta-feira, 17 de fevereiro 2017

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Agradeço por estar lendo este artigo. Sei estar o Brasil com doze milhões de desempregados. Se cada um deles for responsável apenas por outra pessoa, teremos 24 milhões. Isso representa cerca de 10% da população nacional.
Que o país está em crise, todos sabem. A crise não é só econômica, por razão de empresas a fechar e deixar rastros de dívidas. A crise é o resultado de tudo a acontecer nos três vértices de um triângulo imaginário: os bancos mandam na economia; os políticos fazem (ou faziam) o que querem e as grandes empresas recebem todas as benesses em editais bem urdidos.

Fala-se muito na “Lava Jato”, mas há outros tantos vieses de uma estrutura contaminada pela ganância dos bancos a emprestar ao governo- com retorno seguro – e a cobrar inacreditáveis 450% de juros ao ano aos portadores de cartões de crédito. Em qualquer loja de departamentos há oferta (“Demora nada. É rápido”) de cartões de todas as bandeiras. E o processo de sedução oferece descontos, milhas para viagens etc. Aí começam as dívidas. Tome SPC, Serasa e advogados.

As empresas brasileiras foram acostumadas a aliar-se ao poder. O poder tem glamour e obras a ofertar. Qualquer que seja ele. As empresas, se não aceitam o jogo, simplesmente saem do radar das grandes obras, das médias e até das pequenas. Não precisa de nenhum algoritmo para descobrir como funciona. Os adiantamentos não saem, pagamentos atrasam, naturalmente. Só os recebem os interlocutores a descobrir os caminhos ínvios. Cria-se um grupo de empresas “confiáveis” e os editais, detalhistas, dão as sutilezas para a vitória. Cria-se um rodízio, consórcios, cartéis e todos são beneficiados. Isso funciona em todos os níveis e não apenas na Petrobras. Até o acento da palavra foi roubado.

De repente, um grupo de jovens juízes, bem preparados e corajosos, resolve enfrentar e afrontar um poder carcomido pelo compadrio remontando ao século passado, a atuar de forma sistêmica, usando os recursos da tecnologia para desvendar o bem e o mal. Estamos apenas no terceiro ano da Lava Jato. Há sinais de exaustão, transferências e ameaças veladas. Até no exterior juízes poliglotas sofrem com a algazarra dos que, remunerados, agem para desacreditá-los.
Já disse e repito pelos outros, vejo poucas saídas para um país engolfado nesse corroído sistema de troca de favores. As bravatas com outras nações desta sul América, governada sob a égide de um pan-americanismo chinfrim, perde força. Estamos em fevereiro, carnaval às portas, cidades sendo fechadas e assaltadas por sequazes dos que, em lugares guardados pelo Estado, enviam ordens para queimar ônibus, atiçar o ódio de incautas mulheres de policiais contra os governantes de cofres vazios, à espera de milagres em tempos incréus.
Como disse no título, escrevo o que ouço. E o que me pedem. Julguem vocês.

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