segunda-feira, 18 de março de 2019.
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Decepção: mordomias e regalias serão mantidas

Cláudio Humberto

Colunista - Geral

sexta-feira, 28 de dezembro 2018

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Qualquer pessoa pública tem que esclarecer aquilo que for duvidoso
Futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, sobre a entrevista de Fabrício Queiroz

AAgenda de Governo, assinada pelo futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e divulgada ontem (28), não parece ter passado pelo crivo do presidente eleito, Jair Bolsonaro. Marcado por obviedades, o documento mantém o que já se faz, e preserva várias mordomias e regalias que o eleitor de Bolsonaro esperava ver extintas. De carro oficial a auxílio-moradia e ajuda de custo de mudanças, tudo fica como está.

Jatinho e carro oficial
Em vez de extingui-las, o novo governo manterá regalias tipo utilização de jatos da FAB “em serviço”, como acontece hoje, e a mordomia do carro oficial.

‘Direito’ de castas
Ministro ganha bem, o suficiente para pagar o seu próprio aluguel, mas continuarão a ter “direito” a ter imóvel funcional ou a “auxílio-moradia”.

Abuso vai continuar
Continuarão a ter “direito” a carro oficial, além do ministro, todos os que eles nomearem, ou sejam, ocupantes de “cargos de natureza especial”.

Cartão persiste
Outra aberração preservada é o cartão de crédito corporativo, a mais moderna forma de desperdiçar dinheiro público impunemente.
Turma do comitê
O político petista que estaria escondendo o Battisti teria ajudado a criar no Congresso, anos atrás, um comitê de solidariedade ao terrorista.

Tudo estava armado
A suspeita é que Cesare Battisti já tinha plano de fuga e esconderijo determinado, para o caso de sua prisão ser decretada.

Vazamento conveniente
Battisti e até mesmo a Polícia Federal souberam da ordem de prisão pela TV, na noite do dia 22. Ao amanhecer, ele já havia sumido.

A ideia não era mudar?
A pretexto de regulamentar a mordomia do carro oficial, a decepcionante Agenda do Governo Bolsonaro veda seu uso aos sábados, domingos e feriados. Exatamente como o é há anos.
Bolsonaro segue Lula
Ao detalhar questões administrativas, a agenda do futuro governo trata do sistema de concessão de diárias e passagens, que nada tem de novo. Na verdade, foi criado no segundo governo Lula.

Avianca com Azul
O mercado aguarda a incorporação à Azul da empresa aérea Avianca, atualmente em recuperação judicial. O acordo é difícil, mas possível. Os colombianos querem R$ 180 milhões no bolso para sair do negócio.

Equipe só no dia 2
O futuro ministro da Educação, Ricardo Velez Rodriguez, já escolheu quase toda a sua equipe, mas irá anunciá-la apenas no próximo dia 2, após a cerimônia de transmissão de cargo.

Rei da simpatia
O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, vem à posse de Bolsonaro e aproveitará para rever familiares que vivem no Brasil. Sua comitiva ocupará 30 apartamentos no Hotel B, em Brasília.
Lógica de bandido
Na ânsia de criticar o presidente Michel Temer pela “demora” do indulto, a turma dos Direitos Humanos reclama que presos de bom comportamento podem perder o benefício. Como se bom comportamento não fosse obrigação.

Realidade aumentada
O noticiário fez parecer que a bomba desarmada pela Polícia Militar do Distrito Federal estava no Palácio do Planalto. Na verdade, a bomba foi achada em Brazlândia, a mais de 50 quilômetros da Esplanada dos Ministérios.

Que País é este?
Em outra ideia brilhante, que só aparece por lá, a Câmara dos Deputados analisa projeto proibindo pessoas condenadas por estupro de vulnerável ou pornografia infantil de trabalharem com crianças e adolescentes.

Pensando bem…
…a Agenda do futuro governo, divulgada ontem, mais parece um grande cardápio de regalias.

Albertina Krumel Maciel, de São José (SC), escreveu a Jânio Quadros pedindo a contribuição de um tijolo para o Hospital Santo Antônio, que construía em pagamento de promessa por sua vitória para presidente.
“Agradeço sua carta e os votos que fez pela minha eleição”, respondeu Jânio Quadros. Depois, o presidente eleito mostrou seu estilo peculiar: “O fardo é tão pesado que hesitei, não sabendo, por alguns minutos, se deveria agradecer ou zangar-me. Junto vai 500 cruzeiros para o Hospital de Santo Antônio. Não sou mais rico do que o grande padroeiro o foi.”

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