terça-feira, 18 de dezembro de 2018.
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Dona Beatriz

João Soares Neto

Colunista - + SUPLEMENTOS

sexta-feira, 30 de novembro 2018

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Estava ausente nos noventa anos de dona Beatriz Rosita Gentil Philomeno Gomes. Fui colega de seu filho Pedro Philomeno Gomes Neto, na Faculdade de Direito da UFC. A propósito, Antenor Barros Leal Filho, nosso coevo, dizia para o Pedrinho, em seu humor: “Com uma mãe dessa até eu”. Brincadeiras à parte, este texto é uma forma de dizer um pouco de dona Beatriz, não só a mulher de Francisco Philomeno Gomes, tampouco a mãe extremada de oito filhos que deram certo, sequer a religiosa de fé inquebrantável e nem a elegante que Lúcio Brasileiro louva, desde sempre.
A dona Beatriz a que me refiro é a senhora não só das prendas e valores já referidos, mas a grande companheira de viagens com amigas como Consuelo Dias Branco, Iracema Oliveira e Alzira Ximenes, entre outras.

Por um desses acasos, estava eu em alguns países em que esse grupo fluía, décadas passadas. Milton Dias, o cronista, amigo querido, agora romancista póstumo por conta dos quereres de Paulo Elpídio de Menezes Neto e Pedro Paulo Montenegro, também fazia parte da turma e alegrava a todos, com suas tiradas espirituosas, fumando em demasia, brindando com vinhos e varando noites até que, um dia, a água da limpeza matutina aspergisse sobre nós.
E nos vimos em Madri, em festa genetlíaca aos 22 de agosto e, depois, Londres, em hotel de nível. Ao chegar no grande lobby, dona Beatriz sentou-se ao piano de cauda e fez os circunstantes tomarem tento de sua presença. E exercitou com a mesma desenvoltura com que trocava de idiomas nos diferentes países europeus. Até Roberto Campos, então embaixador brasileiro na Inglaterra, a convocou para um Chá das Cinco.

Nos anos 70 passei a trabalhar em Jacarecanga, próximo à sua casa, e, sempre que podia, parava na Fábrica Philomeno, para trocar ideias com o senhor Chico Philomeno ou comprar algumas redes especiais. Sempre gostei de conversar com pessoas mais velhas e sábias. O sr. Chico era agradável no trato e atinado em sua simplicidade. Tal como ele sempre usei roupas leves no trabalho, mas não o branco que portava, quase sempre, nas calças e “slacks”.
Voltando à dona Beatriz: peço desculpas públicas pela não presença. Andava por outros caminhos. Antes de terminar, deixo patente a admiração pela digna matriarca que soube encanecer sem perder o porte, a fé, o amor da família e o respeito notório. Parabéns. Saúde.

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