26 C°

sábado, 20 de Janeiro de 2018.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

"você jamais será livre sem uma imprensa livre." - Venelouis Xavier Pereira

Erasmo Pitombeira por Audifax Rios

João Soares Neto

Colunista - + SUPLEMENTOS

sexta-feira, 01 de dezembro 2017

Imprimir texto A- A+

Cedo, respeitoso, este espaço a Audifax Rios. Ele sumarizou, antes de ir para o além, a vida de Erasmo Pitombeira, agora falecido: “Pitombeira foi criado na Fazenda Mutuca, embora tenha nascido na Fazenda Pedras, ribeira do Palhano, Vale do Jaguaribe. Filho de vaqueiro e, por parte de pai e mãe, neto, bisneto e tataraneto de vaqueiros estabelecidos no vale do rio das onças, ele viveu seus primeiros tempos acompanhando as estórias contadas no alpendre da casa grande da velha fazenda assentada nas quebradas do riacho das Imburanas.

Levou a meninice botando bezerro para mamar na “tiração” de leite do curral das vacas, vendo a “ferra” dos bezerros e a “assinação” dos cabritos e cordeiros, dando banho nos animais de sela nos poços do riacho ou no açude velho, botando “pareia” de cavalo no caminho da capoeira e ouvindo os fuxicos que corriam pela cozinha e casa de farinha. Criou-se “vendo” a água cair aos “potes” nas imensas telhas da coberta da velha casa e “sentindo” o estremecido do estrondo do “pai da coalhada” lá para as bandas do caminho direito.

Quando acabou o aprendizado disponível na escola de casa, foi para a capital fazer o exame de admissão. Foi quando, somente aos dez anos, ouviu pela vez primeira a pancada do mar e ficou admirado com aquele lombo d’água bonito do oceano que jamais enxergara. Seguindo o destino traçado de “ser doutor”, depois de estudar em colégios na capital, passou no vestibular da UFC e graduou-se em engenharia civil. Na sequência, em busca de aumentar sua “sapiência”, se largou por este mundo de Deus, por “seca e Meca” divagando pelo Brasil e exterior e pósgraduouse, pasmem, em Engenharia hidráulica Maritima, que nada tinha a ver com suas origens. Voltando à terra natal, o “doutor” se abancou na sua antiga Escola de Engenharia, já então Centro de Tecnologia da UFC, onde há trinta anos é professor do Curso de Engenharia Civil, lecionando as disciplinas de Portos e Engenharia Fluvial e realizando consultorias.

Mas o caminhamento por este mundo afora não “afogou” o verdadeiro aprendizado que ele adquirira ao longo do tempo de menino, que foi ser sertanejo e assim, procura manter seus modos e tradições como tal e no meio da vida que leva na casa da rua sempre encontra tempo para as vivências interioranas. Conforme seus ideais de vida, quando se livrar do obrigatório trabalho e do cipoal de medo e insegurança em que se tomou a cidade, pretende voltar de vez à terra onde deixou seu umbigo enterrado na porteira do curral e por lá gastar o resto dos dias de vida que lhe foi destinado.

Esgotado esse prazo, literalmente entregará seu corpo ao chão e ficará em contato total com a terra áspera e pedregosa dos tabuleiros do seu sertão, lá poderá sentir o calor do chão e a terra se molhar quando chover, ouvirá o canto soturno da “cauã” chamando a desgraça da seca para o sertão, o piado do gavião “ripina” aboletado no gancho mais alto do galho morto do angico, o cantarolar monótono da asa branca na sombra da ramada do mulungu e o gritar sem fim dos tetéus nos ariscos. Sentirá o pisado das reses e o seu cheiro quando um magote de gado ficar se batendo ou malhado no tabuleiro, botado para fora da caatinga pelo aperreio da mutuca. Poderá ver o risco inflamado de uma “zelação” na noite escura de céu estrelado e se divertir vendo os fogos de santelmo caminhando em seus perambuleios no campo santo do alto do Cruzeiro. Para o todo o sempre, amém”.

GRANDES NOMES: HUMOR TOM CAVALCANTE
Hoje o Caderno Linha Azul presta uma justa e honrosa homenagem a um dos maiores humoristas do Brasil: Tom Cavalcante. Como é peculiar do Ceará, Antonio José Rodrigues Cavalcante nasceu aqui em nossa terra, berçário de muitos e grandes nomes do humor nacional. Foi na maternidade Assis Chateaubriand, que o menino e artista, filho do querido casal Hugo e Ivete, veio ao mundo.

Como nada é fácil ou cai do céu o começo foi de muito trabalho e suor, Tom participava de comícios como locutor, fazia shows em barracas de praia e restaurantes, atuava como locutor em rádios locais, em todas as experiências, sua voz e seus timbres estiveram presentes. A partir do velho Venâncio – primeiro personagem criado por Tom – outros foram surgindo como o Canabrava – um dos personagens mais famosos do artista – que fez muito sucesso na Escolinha do Professor Raimundo, da Rede Globo. O programa era comandado por Chico Anysio, por quem Tom nutria grande admiração.

Outro sucesso arrebatador e de grande importância para a carreira de Tom foi o Ribamar do Sai de Baixo, da também Rede Globo, inesquecível por toda uma geração, que ia dormir nos finais do domingo, mais alegre, para assim já começar a semana bem-humorado. Do Ribamar pra cá, Tom passou por muita coisa: criou o programa Megatom, participou do Zorra Total, assinou contrato com a Record, onde fez diversos programas como Show do Tom e Tom Bola. Depois de um período longe da tv, por estar morando em Los Angeles (EUA), Tom estreou no Multishow o programa Multi Tom. Ontem entrou em cartaz o filme Os Parças, onde Tom interpreta Toinho, que ao lado de personagens como Ray Van (Whindersson Nunes), Pilôra (Tirullipa) e Romeu (Bruno de Luca), vai viver muitas emoções, tendo como palco a famosa região da 25 de Março, em São Paulo.

Além disso, Tom estará em cartaz hoje, no Teatro RIoMar, com seu show “STOMDUP”, que está com ingressos esgotados. No show ele canta suas perfeitas imitações de grandes nomes da música, entre outras surpresas. Cada apresentação tem seus diferenciais, pois Tom trabalha suas crônicas e piadas em cima das atualidades do Brasil e do mundo, com uma boa dose de improviso, que ele domina tão bem. As observações do comportamento humano e o olhar atento sobre a política do país somam-se às hilariantes imitações de personalidades da televisão e aos personagens originais do humorista, como o hilário João Canabrava, O velho contador de causos Sr. Venâncio, a petulante doméstica Jarilene. Com licença, obrigada.

outros destaques >>

Facebook

Twitter