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quarta-feira, 22 de novembro de 2017.
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Experiência como Presidente

João Soares Neto

Colunista - + SUPLEMENTOS

sexta-feira, 08 de setembro 2017

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“As academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele.” Carlos Drummond de Andrade

Fui, há alguns anos, presidente de uma Academia de Letras , cujo nome não vem ao caso. Intrigado, publiquei, recentemente, um livro de 138 páginas. O nome é direto ao ponto: “Experiência como Presidente”(ISBN 978-85-923210-0-0). Retrato, inclusive, com fotos, os dois anos da gestão com todos os detalhes legais,culturais, sociais. Necessários e talvez alguns supérfluos.

Uma entidade de letras ou similar deve incentivar os seus membros a publicar livros e a frequentá-la. Para isso, criei selo editorial específico e, durante esses dois anos alguns livros foram lançados por consócios, participamos de duas Bienal de Livros e procuramos estimular a criação de Academias estudantis, em conjunto com a Secult e alguns colégios. Tivemos êxito. A cada ano, fizemos uma “Semana Cultural Viajando nos Livros” e uma Exposição de Livros Raros, ambos com a participação de dezenas de colégios públicos e privados. Públicos acima de mil pessoas.

Realizamos festas natalinas e no aniversário da Academia. Sem dinheiro alheio. Idealizamos e criamos, com a ajuda de Regina Fiúza, de Murilo Martins e de Pedro Henrique Saraiva Leão, grupo para planejar e dar o “startup” no restauro do Palácio da Luz.Depois, concretizada por José Augusto Bezerra.
A par disso, consultados os colegas e pedir-lhes colaboração para a confecção de novo Estatuto, mourejei solitário na minha gávea. Produzi documento que, através de assembleia geral convocada, foi lido e relido, pois distribuídas cópias.

Na Assembleia,em 16 de junho de 2010, o Estatuto, levado à discussão, foi aprovado por unanimidade. Possui 37 artigos. Neles, estão claros os direitos e obrigações. Além do Estatuto, submeti aos pares um Regimento Interno com 22 artigos, igualmente aprovado na sobredita Assembleia.
Três colegas faleceram nesses dois anos e foram devidamente pranteados. Após o período do luto oficial, significaram eleitos novos membros, sendo recomposto o quadro social.
Criamos boletim mensal eletrônico e blog para noticiar os eventos, mas poucos acessos aconteceram, mercê da carência de interesse de alguns por esse mundo esquisito e definitvo da Internet.
O boletim possuía conteúdo definido: palavra do presidente, acontecimentos do mês e do seguinte, pensamento de autor ilustre e a prestação de contas do mês anterior.

A entidade foi homenageada com placa de prata, em sessão solene, na Câmara Municipal de Fortaleza-CMF, em outubro de 2009, por iniciativa do vereador Paulo Facó. Apresentamos ao presidente da CMF, Salmito Filho, a intenção de participar do “Pacto por Fortaleza, a cidade que queremos para 2020.”
Com a Secretaria da Cultura do Ceará, parceira da gestão, sem que a ela fossem exorados recursos, criamos a ideia do “Anuário da Cultura”, aprovado pelo secretário Auto Filho. O belo Anuário saiu em 2010. Os secretários da cultura e os presidentes que nos sucederam não o levaram avante. Pena.

Fizemos publicar um número da revista da entidade, com colaboração de acadêmicos. Distribuímos, gratuitamente, broches(bottons) e carteiras de identidade social. As reuniões foram descrevidas pelo secretário Eduardo Fontes. Culminamos com a eleição de nova diretoria, sem esquecer de deixar a tesouraria com caixa positivo de R$ 13.750,51. Referimos que nessa gestão não solicitamos quaisquer ajudas financeiras a pessoas ou instituições privadas ou órgãos públicos. Não homenageamos nenhuma pessoa, empresa ou entidade, pública ou privada. Foi assim.

Pergunta final: Por que pessoas concorrem a eleição, às vezes duras, em Academias de Letras ou similares e, logo em seguida, após a desejada assunção, sessão de posse e coquetel, deixam de frequentá-la?
Alguns, sentem-se até incomodados com a cobrança da mensalidade devida e necessária para a precária manutenção dessas entidades. Esse é um drama comum e atual de quase todas e pode servir de base para discussões e providências que urgem.

PERSONALIDADES
Rogéria

Essa semana o Brasil se entristeceu com a notícia da partida da atriz Rogéria, símbolo da luta contra o preconceito em nosso país. Rogéria na realidade nasceu Astolfo Barroso Pinto, na cidade de Cantagalo, interior do Rio de Janeiro. Ela sempre dizia: “Em Cantagalo, nasceu a maior bicha do Brasil – no caso, eu – e o maior macho do Brasil, Euclides da Cunha”. Desde sua infância tinha consciência da homossexualidade e na adolescência virou transformista e assumiu uma carreira de maquiadora. Antes disso, foi figura assídua no auditório da Rádio Nacional, particularmente nos programas estrelados pela cantora Emilinha Borba e de quem era fã incondicional. Ao vencer um concurso de fantasias no carnaval de 1964, tentaram renomeá-la de Astolfo, “que fazia demais a ‘linha executivo’”, para Rogério, que levou o público a gritos de “Rogéria”, inspirando o nome artístico dela.

Ela começou sua carreira como maquiadora da TV Rio, e ao conviver com inúmeros atores célebres teve o que descreveu como equivalente de uma estadia no Actors Studio, sendo estimulada a interpretar. Sua estreia ocorreu em 29 de maio de 1964, em um notório reduto gay de Copacabana, a Galeria Alaska. Figura frequente no cinema brasileiro, participou também como jurada em vários programas de auditório nas últimas décadas, de Chacrinha a Gilberto Barros e também Luciano Huck. Rogéria foi coreógrafa da comissão de frente da Escola de Samba São Clemente, representando Maria, a louca, num enredo que tratava dos 200 anos da vinda da família real ao Brasil. Em sua passagem, foi recebida com carinho pelo público. Em 2016, lançou sua biografia Rogéria – Uma mulher e mais um pouco, de Marcio Paschoal. Um de seus últimos trabalhos foi sua participação no filme de Leandra Leal Divinas Divas. Em 13 de julho de 2017, a atriz foi internada devido a uma infecção generalizada, permanecendo por duas semanas em uma clínica em Laranjeiras, na zona sul do Rio. Em 8 de agosto, Rogéria foi novamente internada no Hospital Unimed Barra, na Zona Oeste do Rio, devido a um quadro de infecção urinária e em 25 de agosto foi transferida da Unidade de Tratamento Intensivo do hospital para o quarto. No entanto, seu quadro clínico se agravou após uma crise convulsiva, seguida de um choque séptico, causa de sua morte no último dia 4.

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