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A GRAVAÇÃO, A DELAÇÃO E O FUTURO INCERTO

João Soares Neto

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sexta-feira, 14 de julho 2017

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“De delação em delação, nunca vai acabar a confusão.” Ouvido em boteco

Em todo o estardalhaço da imprensa, da televisão e da Internet feito sobre o grupo J&S/ JBS, a melhor reportagem, ao meu talante, foi a publicada no dia 07 deste julho, no Caderno Eu&Fim de Semana, do Jornal Valor.

O Caderno Eu&Fim de semana é publicado às sextas-feiras e mistura economia, gestão, finanças, política, cinema, entrevistas, reportagem e cultura. Confesso, ao meu olhar, a parte mais interessante é a de Cultura. Entanto, quero chamar a atenção de todos para a reportagem de capa “A Saga da JBS”. Ela pode ser vista nas redes sociais ou no site do Jornal “Valor”.É trabalho de fôlego escrito pelos jornalistas Luiz Henrique Mendes, Vanessa Adachi, Fernando Torres e Francisco Góes. Além deles, colaboraram Fernando Lopes, Stella Fontes e Fábio Murakava. São 10 páginas escritas em letras de tipo pequeno.
Sugiro ao Jornal “Valor” transformar essa reportagem, depois de aprofundada, em livro. Um senão é citar fontes sem nomes. Invocam motivo de segurança, mas empobrecem a reportagem. No livro, quem sabe, poderiam ir mais a fundo e identificar algumas fontes, se elas não tiverem medo de sofrer represálias.

A história começa no interior de Goiás, em 1953. José Batista Sobrinho – JBS, conhecido por Zé Mineiro, cria a “Casa de Carnes Mineira”, em Anápolis, com entregas a domicílio. Anápolis é próxima de onde seria fundada Brasília. Poucos anos depois, surgia JK – Juscelino Kubistchek de Oliveira, empossado presidente em 1956, no Rio de Janeiro, capital do país.

JK havia sido prefeito de Belo Horizonte e fez a barragem da Pampulha, entre outras obras públicas. Conhecia, e bem, arquitetos e empreiteiros. O slogan “50 anos em cinco” era o mote para a identificação do local, até invocando São João Bosco (em sonho ele teria indicado o local entre os paralelos 15 e 20 do hemisfério sul). As obras começaram e Zé Mineiro passou a ser fornecedor de carnes para centenas de empregados das empreiteiras.

O crescimento, a partir da Friboi, em 1970, foi exponencial. Cresceu, cresceu e cresceu. Expandiu-se em outras áreas e criou base multinacional. O foco deste relato é apenas dar destaque à delação premiada de Joesley Batista, depois da gravação sub-reptícia, às horas tantas da noite, no Jaburu, nome esquisito de Palácio.

Temer, político por décadas, se deixa encantar com a conversa do maior processador de proteína animal do Brasil, financiador de campanhas para todos os partidos. O resultado é o estado caótico da política, depois da possível entrega de Michel Temer, pela Câmara dos Deputados, para ser julgado no Supremo Tribunal Federal, com afastamento liminar por 180 dias. Ressalte-se, por oportuno, o vento a favor do Ministro da Fazenda, Henrique Meireles, até bem pouco, presidente do Conselho da JBS. Vá entender o Brasil. Eu não consigo, embora tente.

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