sábado, 17 de agosto de 2019.
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Histórias políticas

Sebastião Nery

Colunista - Nacional

terça-feira, 21 de maio 2019

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Fernando Henrique Cardoso tinha 29 anos, era professor na Universidade de São Paulo, sociólogo. Fez a campanha de Lott para presidente da República, contra Jânio, em 1960.
Mas um grupo de amigos dele fez a campanha de Jânio: Pedroso Horta, José Aparecido, Roberto Gusmão, Fernando Pedreira, Angarita. Quando Jânio assumiu, havia uma vaga para o Conselho Nacional de Economia, muito importante na época. Fernando Henrique não era economista, mas não precisava ser. Aparecido, Gusmão, Oscar e outros indicaram a Jânio o nome de Fernando Henrique. Jânio mandou Aparecido convidá-lo.
Fernando Henrique não aceitou. Primeiro, porque não havia votado em Jânio (embora Jânio tivesse dito que isso não tinha importância). Depois, porque havia feito um projeto de vida e precisava completar sua carreira acadêmica, na Universidade.
Jânio recebeu a resposta e disse a Aparecido:
Esse rapaz vai longe. Quem rejeita uma posição dessas aos 30 é porque planeja outras muito mais altas aos 60.
Miguel Arraes era governador de Pernambuco, Djalma Falcão (presidente do MDB e do PMDB de Alagoas) prefeito de Maceió. Djalma foi a uma reunião da Sudene, em Recife, sentou-se ao lado do chefe da Casa Civil de Arraes. No dia seguinte, recebeu um convite:
“O governador quer ver você hoje, às 12 horas. Mandou convidá-lo para uma conversa no Palácio.”

Djalma ficou contente. Arraes sempre fora um de seus gurus, líder da esquerda nordestina. Ao meio dia, estava lá, foi levado à ante sala do governador. Esperou. Esperou. Uma da tarde, abre-se a porta, aparece Arraes. Em um sofá, um casal. Arraes recebe Djalma de pé, à porta:
– Djalma, infelizmente não vamos poder conversar. Chegou este casal amigo e vamos almoçar.

Djalma olhou seco para Arraes:
– Governador, não lhe pedi audiência, não solicitei que me recebesse. O senhor é que mandou convidar-me, pelo seu chefe da Casa Civil, para vir aqui. Se soubesse que o senhor era tão grosso e mal educado não teria vindo.
Virou-lhe as costas e foi embora.
Em 1966, Djalma Falcão chegou à Câmara Federal, muito jovem, eleito pelo MDB de Alagoas, Ficou amigo de Chagas Freitas, do MDB do Rio de Janeiro. Chagas foi escolhido pelos militares para ser o governador da Guanabara. Procurou Djalma: Preciso de um grande favor seu. Você é presidente do MDB de Alagoas. O Aurélio Viana alagoano, é senador do MDB do Rio, mas não tem condições de reeleição. Quero eleger três: Nelson, Danton e Farah. O Aurélio tem vaga cativa na chapa. É preciso tirá-lo do Rio e leva-lo para Alagoas. Convença-o a disputar por lá. Arranjo 5 milhões para a campanha dele.
Chagas, se você falar em dinheiro com o Aurélio, ele não vai. Deixe que eu converso com ele.
Djalma convenceu Aurélio, que saiu do Rio e perdeu as eleições em Alagoas. Um dia, um amigo de Djalma tinha um filho, médico do Estado, doente no Rio. Queria transferi-lo para se tratar em Maceió. Foi ao Rio com o amigo, pediu audiência a Chagas, que marcou. Passou um dia inteiro no Palácio e Chagas não o recebeu.

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