quarta-feira, 22 de agosto de 2018.
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A importância de Ciro Gomes no contexto

Macário Batista

Colunista - Política

sexta-feira, 09 de fevereiro 2018

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Por que ninguém fala no candidato Ciro Gomes? Ex-porta-voz da Presidencia da República, o jornalista Ricardo Kotscho é um dos caras mais sérios e rígidos da minha geração. Parceiro das antigas, volta-se para Ciro Gomes e comenta no seu blog; balaiodokotscho.com.br. Ficou impossivel não deixar seu pensamento para a reflexão dos que leem estas mal traçadas linhas no dia a dia da vida. Fala Kotscho: “Escreveu-me o leitor Pedro Paulo Silva, às 21h38 de segunda-feira, em comentário publicado no Balaio sobre a matéria “Faltam só oito meses. Dá tempo para inventar um candidato?”. “Kotscho, adorei sua leitura política do Brasil, mas uma pergunta me intriga: você não acha Ciro Gomes um candidato preparado para assumir as rédeas do País?” A mim também intriga a ausência do nome do ex-governador do Ceará e ex-ministro dos governos Itamar Franco e Lula, duas vezes candidato a presidente, no noticiário e nas análises sobre a eleição de 2018. É como se ele não existisse, embora seja o candidato mais cotado do campo progressista, chegando a 13%, no último Datafolha, caso Lula não possa concorrer… Neste cenário de absoluta indefinição, tanto à direita como à esquerda do espectro político, é mesmo estranho que não se fale no nome do candidato Ciro Gomes, do PDT, o mais temido pelos conservadores, se Lula não chegar às urnas em outubro. Ciro seria, no momento, na minha modesta e irrelevante opinião, o único nome capaz de liderar uma frente de esquerda para ir ao segundo turno, já que os dois nomes alternativos do PT, Jaques Wagner e Fernando Haddad, não chegam a empolgar nem o próprio partido. Wagner já disse que não quer ser candidato e Haddad foi derrotado no primeiro turno, quando tentou a reeleição na disputa municipal de 2016. Aos que acham impossível o PT apoiar Ciro Gomes, lembro um episódio que testemunhei no final de 1993. Na cantina do Mário, próxima ao Instituto Cidadania, onde eu trabalhava como assessor de imprensa de Lula, o então candidato petista, já em campanha para 1994, se reuniu com os tucanos Ciro Gomes e Tasso Jereissati para discutir algo que também parecia impossível: uma aliança do PT com o PSDB. Numa longa conversa, discutiu-se uma chapa Lula-Tasso, com as bençãos de Ciro. Alguns meses depois, no entanto, embalado pelo Plano Real, Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, lançou-se candidato ao Planalto em aliança com o PFL de ACM, e o resto da história nós conhecemos. Ciro acabou indo para a Fazenda no final do governo de Itamar Franco, depois da queda de Rubens Ricupero, que havia assumido o lugar de FHC. Na época em que trabalhamos juntos, nos dois primeiros anos do governo de Lula, tive longas conversas com Ciro, ministro da Integração Nacional. Morávamos no mesmo hotel e muitas vezes dividimos o café da manhã. Tive dele a melhor impressão. Ciro fala sempre o que pensa, sem pensar duas vezes, gosta de uma boa briga, e talvez esse seja o seu maior adversário como demonstrou em duas campanhas presidenciais: o temperamento mercurial. É um político atípico para os padrões nacionais, um sujeito que não faz média com ninguém, vai em frente naquilo que acredita, e há tempos vem construindo um programa de governo do qual não ouvimos falar porque não tem acesso aos grandes meios de comunicação. Em resposta ao leitor Pedro Paulo, respondi que considero Ciro Gomes preparado, sim, além de ser o único presidenciável competitivo não citado nas delações da Lava Jato. Bom de debate e de discurso, se conseguir unir o campo da esquerda, o que não será nada fácil, em breve poderemos ouvir falar no nome dele. Se falarão bem ou mal, é outra questão, mas não dará para ignorá-lo.Vida que segue.”

Editor-chefe do jornal Meio Dia, num começo de tarde recebemos a visita do Kotscho. Andava pelo Nordeste cuidando de uma pauta. Soube do novo jornal. Foi lá. Passamos um bom pedaço de tarde conversando. Kotscho sempre gostou do novo e de desafios. Por isso, ou também por isso, a ONU fez dele um dos jornalistas mais importantes das Américas. Tambem por isso tenho coragem de publicar seus textos.

Pra quem chega
Os moradores que permanecerem em Fortaleza e os turistas que chegarem à capital cearense, para o Carnaval, contarão, neste ano, com uma programação especial de jazz, sem precisar sair da cidade.
Pra quem fica
O I Cocoricó Jazz Festival acontece no Cantinho do Frango (Torres Câmara, 71, Aldeota), reunindo músicos do Ceará para dois shows diários, sábado, domingo e segunda de Carnaval (10 a 12), sempre às 17h e às 19h.

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