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O Bruxo da canção

Mais informações de Sebastião Nery: e-mail: nerysebastiao@gmail.com www.sebastiaonery.com

Sebastião Nery

Colunista - Nacional

terça-feira, 05 de dezembro 2017

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Eleito presidente, Tancredo Neves foi aos Estados Unidos e Europa. Passou pelo México. Augusto Marzagão, vice-presidente da Televisa, a maior televisão do México, organizou uma entrevista coletiva.

Desde a Copa de 70, quando o Brasil ganhou o tricampeonato com a maior seleção mundial de todos os tempos, os mexicanos são considerados pelo futebol brasileiro. Um jornalista perguntou a Tancredo:
– Presidente, é fácil ser eleito presidente da República no Brasil?
– É, sim. Difícil é ser escolhido técnico da seleção brasileira.

Eleito presidente da República, Jânio também deu suas voltas por aí:
Estados Unidos, Europa. Foi ao rancho de férias do recém-eleito presidente John Kennedy. Na beira da piscina dois jovens senhores tomavam um drinque. De repente Jânio percebe que eram Kennedy e Marzagão, já íntimos. Jânio se espanta:
– Está demitido, senhor Marzagão. No meu governo nenhum auxiliar vai à frente do Presidente.
Kennedy deu uma gargalhada e ficaram os três papeando à beira da piscina.
Quem entendia de Augusto Marzagão era Silvestre Gorgulho, amigo, aliado, irmão. O Brasil perdeu o humor e a competência do bruxo da comunicação.

Alto, elegante, culto, foi uma bela biografia internacional. Quando diretor do Instituto Brasileiro do Café, em Trieste, na velha Iugoslávia, Marzagão conviveu com estadistas, jogava biriba com seu amigo cardeal Giovanni Montini, de Milão, depois Papa Paulo VI. Tomava uísque com John Kennedy à beira da piscina de Camp David, casa de fim de semana dos presidentes americanos. Tinha um rol de amigos artistas e compositores na sua agenda cultural.

De volta ao Brasil, em 1965, Marzagão foi trabalhar na Secretaria de Turismo do Estado da Guanabara, onde conheceu o advogado Carlos de Laet que, atentamente, ouviu seus planos para a realização, no Rio de Janeiro, de um Festival de Música Popular. O governador Negrão de Lima vibrou e apoiou. E assim nasceu o FIC – Festival Internacional da Canção.

Os FICs mudaram e enriqueceram, não só a música popular brasileira, mas a própria vida inteligente do País.
A nova música brasileira e baiana, João Gilberto, Gilberto Gil, Caetano Veloso, os Doces Bárbaros, nasceram ali.
Marzagão, em 1988, faz valer sua fama de Bruxo a serviço de Jânio Quadros (eleito prefeito de São Paulo) e, depois, secretário particular do presidente José Sarney.

Seus textos, suas conferências, seus livros e suas anedotas estão ainda muito vivos. Tenho em meus alfarrábios o projeto que Marzagão preparou para fazer em Brasília um grande Festival Internacional da Canção.
Guardo em mim uma inesquecível lição dele cada vez mais verdadeira:
– O bom humor é a única qualidade divina do homem.

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