terça-feira, 21 de agosto de 2018.
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O que se fala no Google sobre o Brasil?

João Soares Neto

Colunista - + SUPLEMENTOS

sexta-feira, 09 de fevereiro 2018

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“No Brasil, sucesso é ofensa pessoal”. Tom Jobim

A Folha de São Paulo resolveu pedir ao Google informações sobre as buscas dos seus internautas acerca do Brasil. O Google aquiesceu e informou, mais ou menos, o seguinte: os próprios portugueses ao usar o sistema Google fazem, em busca mais recorrente, a seguinte pergunta: quem descobriu o Brasil? A outra pergunta deles é: quem colonizou o Brasil? É verdade, não é brincadeira. Coisas da pátria-mãe.
Sobre o assunto, Patrícia Campo Mello, jornalista, informa: “Para mapear a imagem do Brasil no Mundo, o Google levantou, a pedido da Folha, o que os cidadãos de alguns países buscam em seu site sobre o País desde 2004. Afora os resultados no mínimo curiosos sobre os portugueses, o levantamento mostra que o Brasil começa a se livrar dos clichês ‘samba, futebol e carnaval’”.
Mas, descobriu-se que é no nosso país que os norte-americanos pensam em certos tipos de cirurgia plástica e estética, tais como “Brazil butt lift” (cirurgia para aumentar o traseiro) e “brazilian wax” (depilação dos pelos pubianos). Enganam-se ao pensar que por aqui há sementes nativas que teriam o poder do emagrecimento nos locais certos. Por outro lado, a pesquisa, citada, mostra que ainda há perguntas, tais como: onde fica o Brasil? em que país fica o Brasil? que língua é falada no Brasil?
Recorro à Patrícia: “A ignorância também permeia as buscas mais frequentes dos internautas do Iraque como: “Qual é o idioma”, “Onde fica?” e “Qual é a capital?”. Mas o sexo não sai do imaginário dos iraquianos (muçulmanos, diga-se) quando pensam no Brasil. O termo mais procurado por eles é ‘praias de nudismo, seguido de ‘sexo’ e ‘mulheres sexy do Brasil”.
Aqui ao lado, na Argentina, os “hermanos” procuram saber de novelas e a que tem mais entrada no Google é “Avenida Brasil”, da TV Globo, que só foi retransmitida para lá em 2014.
Fortaleza está entre as cidades mais procuradas, ao lado de Natal, Bonito – no Mato Grosso do Sul-, Itapema, em Santa Catarina e Torres, nos pampas gaúchos.
Por outro lado, além das perguntas bobas ou primárias há algo um pouco mais profundo e isso vem dos franceses que procuraram saber “quais as particularidades da presidente Dilma?”, “o Brasil produz para alimentar sua população ou para vender?” e “por que chamam o Brasil de fazenda do mundo?”.
Como se vê, o nosso País ainda é um ilustre desconhecido e isso nos entristece, pois acreditamos ser a sétima ou oitava economia do mundo e nem os da nossa pátria-mãe sabem quem somos. Tantas foram as viagens presidenciais pelo mundo afora, nestes últimos 20 anos, que imaginávamos um “recall” mais alvissareiro.
Entretanto, algo nos alegra. O nível dos perguntadores é de ordem tão primária que há esperança de que, pelo menos, entre populações mais instruídas, tais como: jornalistas, acadêmicos e intelectuais – os que ainda leem livros e possuem uma visão mais cosmopolita- possa realmente haver informações mais qualificadas.
Saber, por exemplo, que se atribui a Pedro Álvares Cabral o nosso descobrimento; que somos um país continental de 200 milhões de habitantes; que falamos a língua portuguesa e que fomos colonizados por Portugal.
Hoje, temos uma democracia turbulenta, a nossa presidente é uma mulher, Dilma Vana Rousseff, filha de imigrante e estamos nos preparando para sediar as Olimpíadas de 2016, na cidade do Rio de Janeiro, patrimônio da humanidade.
Ainda produzimos samba, especialmente em favelas pacificadas; tentamos, com o “coach” Dunga, voltar à hegemonia no futebol; os carnavais do Rio e de São Paulo são patrocinados por contraventores em parceria com multinacional de cerveja e mostrados via televisão. O ator Rodrigo Santoro é brasileiro e o nosso maior cantor é Roberto Carlos.

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