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Sebastião Nery

Nacional

Palocci e a PEC

terça-feira, 25 de outubro 2016

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Esta é quase uma historia de horror. Em 2005, no primeiro governo de Lula, os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do Planejamento, Paulo Bernardo, dois poderosos ministros do Governo, prepararam um PAF (Plano de Ajuste Fiscal), um projeto de ajuste fiscal realista, fixando o limite de gastos públicos por dez anos, impedindo seu crescimento acima do PIB (Produto Interno Bruto).
Quando o PAF chegou à Casa Civil, a ministra Dilma Rousseff liquidou o projeto, fundamental para o equilíbrio das finanças públicas, com uma frase de quatro palavras:
– “É um ajuste rudimentar”.
Era um tiro de escopeta. Pareciam tempos de Hitler ou Stalin.
Os dois ministros, ao invés de enfrentarem o primarismo da Dilma e convencerem o presidente da República da importância de uma base orçamentária realista, aceitaram a qualificação de “rudimentares”.

Dilma
Com o afastamento do ministro Palocci, assumiria a Fazenda Guido Mantega, o anti-Palocci, adepto da gastança, que permaneceria nos governos Lula e Dilma.
Eleita presidente em 2010, Dilma Rousseff (foto) implantaria a desastrada “Nova Matriz Econômica”, onde o BNDES foi vítima e por extensão toda a sociedade brasileira. Dilma adotaria verdadeiramente uma “política econômica rudimentar”. O País iria afundar em dividas impagáveis, juros na estratosfera, queda de arrecadação, desemprego na escala de milhões, renda per capita encolhendo em 10%, dívida pública bruta acima de R$ 4,3 trilhões, levando os estados federativos a situações pré-falimentares.
Tudo isso foi gerado pelo gasto público irresponsável e aparelhamento do Estado por corporações que usufruíram vantagens de todo tipo: algumas empresas ganharam o apelido de “campeãs nacionais do desenvolvimento”. Um dos exemplos, mas não único, foi o empresário Eike Batista e suas empresas simbolizadas no X de multiplicação, hoje todas elas em situação falimentar. As outras, a “Lava Jato” está revelando.
Se em 2005 o Ajuste Fiscal de Palocci e Paulo Bernardo tivesse sido aprovado, o Brasil não estaria mergulhado no cenário de horror e brutal recessão econômica. A PEC que limita os gastos públicos, agora aprovada na Câmara dos Deputados, poderia ter se transformado em realidade onze anos atrás. Seus fundamentos básicos já estavam presentes na proposta dos dois ministros do PT.
Prisões
Satanás não perde tempo. Desolados com seu partido e seu governo, Palocci e Bernardo enveredaram pelos becos do pecado, pelos caminhos do mal. A Lava Jato os pegou na esquina do dinheiro sujo. Palocci está na cadeia, Paulo Bernardo de tornozeilera nas pernas. E Lula se escondendo da Polícia, quando pensa no juiz Sergio Moro.
O líder do PT na Câmara, o alegre baiano Afonso Florence, ignorando essa realidade, ainda afirma: – “A aprovação da PEC do teto dos gastos representará o desmonte de todas as políticas públicas do Brasil”.
É seguido pela amazônica senadora Vanessa Grazziotin, ao qualificar a PEC 241 de “PEC da maldade”:
– “Quem vota a favor da PEC 241 vota contra o Brasil.”
Eles acreditam que o dinheiro público é infinito, desconhecendo que sem o ajuste o resultado será a explosão da inflação, da dívida pública, do desemprego, da falência de empresas e falta de recursos para os investimentos sociais.
O despenhadeiro em que jogaram o Brasil exigirá muito tempo para tira-lo de lá. O ajuste das contas públicas é apenas o começo. As reformas na estrutura estatal, destacadamente na Previdência, na legislação trabalhista e na área tributária, são imprescindíveis.
Sem o enfrentamento dessas reformas, o desequilíbrio fiscal estrutural estará presente na economia brasileira. Exigirá coragem, determinação e consciência de saber estar construindo, para o futuro, o País que o seu povo merece e tem direito.

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