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Salão ainda atraente

Fernando Calmon

Colunista - Economia

quinta-feira, 14 de março 2019

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De uns tempos para cá formou-se uma onda de opiniões pessimistas sobre o esvaziamento inexorável dos salões de automóveis. De fato, alguns fabricantes reviram suas participações por diferentes motivos, desde a falta de novidades para o público específico do país em que se realiza a exposição ou até corte de despesas em meio aos pesados investimentos necessários em eletrificação, carros autônomos, conectividade e compartilhamento de veículos. Tudo isso e de forma simultânea vem exaurindo financeiramente as empresas. O público, no entanto, não tem deixado de comparecer a ponto de abalar seriamente os eventos.

A exposição de Detroit, por exemplo, tenta se reinventar mudando do inverno para o verão, a partir de 2020. O Salão de Genebra continua anual, mas em 2019 sofreu baixas (Ford, Hyundai, Infiniti, Jaguar, Land Rover, Mini, Opel e Volvo estão fora). Apresentou, porém, muito mais novidades do que em outras edições. Esta segue até o próximo dia 17.

Fiat completa 120 anos de fundação e o Grupo FCA tem participação marcante. Do novo SUV conceito conceitual (mas quase pronto) Alfa Romeo Tonale ao Centoventi focado em discutir novas ideias para o futuro Panda. Mike Manley, CEO da FCA, cumpriu o prometido de apresentar versões híbridas plugáveis do Renegade e Compass, voltou a advertir sobre o fim de subsídios das fabricantes aos elétricos e admitiu novas fusões não estarem descartadas (com a PSA Peugeot Citroën traria muitas sinergias). A própria PSA se aproximou bastante da GM, depois que esta lhe vendeu a Opel.

Impressionou, em especial, o número de carros esporte novos. Desde o inacreditavelmente caro e único Bugatti La Voiture Noire por R$ 47 milhões, em conversão direta sem impostos (claro, alguém encomendou antes), ao relativamente discreto Ferrari Tributo. A lista inclui os ingleses Aston Martin Vanquish Vision e AMB-RB 03, o sueco Koenigsegg Jesko (adepto de um motor a etanol de 1.600 cv), o elétrico italiano Pininfarina Battista (1.900 cv dão para o gasto?) e o dinamarquês Zenvo TSR-S. Até o bisneto de Ferdinand Porsche, Anton Piëch, se insinuou com o Piëch Mark Zero que tanto poderá ser elétrico puro, híbrido ou movido por motor convencional, ou seja, para onde soprarem os ventos. História mais curiosa são dois modelos que procuram reviver a marca Hispano Suiza: um se chama Carmen e outro Maguari HS1 GTC. Duas empresas acham-se donas da famosa marca espanhola, fundada em 1904. Produziu carros e motores de avião até sucumbir em 1968. Como vão resolver o imbróglio ninguém sabe.

Entre automóveis convencionais os franceses se destacaram com os novos Peugeot 208 (previsto para ser fabricado aqui) e o Renault Clio. Muito interessante a perua-cupê (shooting brake, em inglês) Mercedes-Benz CLA que só tem mercado garantido na Alemanha. O Audi Q4 e-tron mostra o rápido avanço da marca alemã em sua linha puramente elétrica.

Por fim, o site do programa BBC TopGear elencou carros e nomes extravagantes que estão em Genebra. Para citar alguns: PAL-V Flying Car, Golden Sahara II, Engler F.F. Superquad, GFG Style Kangaroo, Puritalia Berlinetta, Eadon Green Zanturi e Fornasari GT 311 Gigi.

Bom sinal para as vendas da indústria em fevereiro. Melhor termômetro é a média de vendas diárias – 9.932 unidades de veículos leves e pesados ou quase 10% superior a janeiro. Esse indicador tende a neutralizar os efeitos sazonais de cada mês ou época do ano. Mas é preciso esse patamar subir para além de 11.000/dia nos próximos meses a fim de garantir um ótimo 2019.

Exportações continuam em queda livre este ano: 42% sobre 2018. Brasil e México precisam resolver impasse de renovação do acordo bilateral ainda em março. Mexicanos querem livre comércio, sem alterar seu índice de conteúdo local (70% das peças são americanas). Brasil discorda, pois não tem como concorrer com escala de produção de peças dos EUA.

Sedã médio-compacto Jetta, importado do México, ganhou fôlego nas vendas graças à estreia da versão de entrada. Motor turboflex (150 cv) e câmbio automático (pontos altos do modelo) não mudaram. Rodas de liga leve de 16 pol. tornaram o rodar até mais agradável. Alguns itens de conforto e conveniência saíram. Câmera de ré e faróis de neblina fazem falta.

Apesar de a China ser o mercado de elétricos que mais cresce no mundo, a promissora marca de SUVs Nio enfrenta dificuldades e cortou planos de construir fábrica própria (hoje utiliza a da JAC). Já nos EUA a empresa federal de Correios, USPS, investe em furgões elétricos, tipo de veículo que mais se adapta no para e anda de entregas. Cummins é a fornecedora.

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