sábado, 15 de dezembro de 2018.
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“Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte.” Sigmund Freud

João Soares Neto

Colunista - + SUPLEMENTOS

sexta-feira, 21 de setembro 2018

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Os dois dias de velório, o sepultamento e a missa de 7o dia em sufrágio por Maurício Cabral Benevides, mostraram a todos, familiares, ex-colegas do Colégio Cearense, Academias Fortalezense e de Retórica, coevos da Faculdade de Medicina da Universidade do Ceará, clientes de sua clínica e parceiros de suas noitadas musicais, a benquerença e não deixaram dúvidas sobre o homem capaz, íntegro e múltiplo que foi.

Maurício Benevides escolheu a Neurologia, dentre as divisões da ciência de Hipócrates. Mas não ficou apenas na área, acolheu a fisiatria como forma de reabilitar os acometidos de acidentes vasculares e de todas as naturezas. E, após a especialização, fez cursos no Brasil e no exterior com proficiência e zelo.
Leitor voraz, retor padrão, fez da presidência da Academia Cearense de Retórica o seu bastião em defesa da linguagem culta e da excelência no elaborar e pronunciar discursos. Suas falas escorreitas e vibrantes produziam o efeito do silêncio e da atenção de seus ouvintes que, ao final, o ovacionavam.

Cultor da música da velha guarda, tendo Sílvio Caldas como uma das referências, tornou-se figura querida entre os que não optaram pela vacuidade de certos ritmos modernos, chulos e sem melodia, harmonia e ritmo. Sua voz era inconfundível.

Há 18 anos, em plena maturidade, reacendeu o amor dantes proibido por suas famílias aparentadas. Afinal, reencantou-se e casou-se com o seu primeiro e derradeiro amor, Rose Espíndola. Os dois formavam um casal apaixonado, um duo e suas vozes repercutiram nas serenatas dos boêmios cantantes.
Com músicas primorosas ao correr da missa, houve manifestações, sendo a mais destacada a de Rose, em improviso e cantando música de Carlos Gardel, no vernáculo. A multidão de presentes à Capela das Irmãs Missionárias assinou, de forma simbólica com palmas, o atestado de homem capaz e bom a Maurício. Requiescat in pace.

Adriana Calcanhoto

Destacamos hoje na capa do nosso caderno Linha Azul a talentosa cantora Adriana calcanhoto, que em breve se apresentará em Fortaleza, com seu novo show “A Mulher do Pau Brasil”. Nomeada Embaixadora da Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra em 2015, ela tem desenvolvido um trabalho de divulgação e estudo da literatura portuguesa junto de diversas Universidades Europeias e Brasileiras, dando-se conta de que, atualmente, no Brasil é vista como a “Embaixadora da Universidade de Coimbra” e, na Europa, sente-se cada vez mais “A Mulher do Pau Brasil”.

Inspirada pelo movimento modernista brasileiro dos anos 20, no seu “Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, a sua influência sobre o Tropicalismo (toda a informação externa deve ser devorada e reinventada nos seus próprios termos), e com base na aprendizagem, pesquisa e trabalhos desenvolvidos como professora e Embaixadora da Universidade de Coimbra, Adriana Calcanhotto cria um novo espetáculo, no qual reflete sobre todas estas novas experiências. Sucessos, novas canções, novas leituras e reinvenções.
Entre os sucessos, novidades e releituras estão “Esquadros”, “Vambora”, “Inverno”, além da faixa que dá nome a turnê, “A Mulher do Pau Brasil” e “O que me cabe”, e “As Caravanas”, de Chico Buarque.

Adriana nasceu em Porto Alegre no dia 03 de outubro de 1965, filha de Carlos Calcanhoto, baterista de jazz e bossa nova, e de Morgada Assumpção Cunha, bailarina e professora de Educação Física. Aos seis anos ganhou do avô seu primeiro instrumento: um violão.Aprendeu a toca-lo e também, mais tarde, a cantar. Logo emergiu nas influências musicais – MPB e literárias – Modernismo Brasileiro, fascinada pelo Movimento antropofágico de Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral e outros nomes daquele movimento cultural.

A vida artística iniciou-se em bares de Porto Alegre, como o Fazendo Artes, situado próximo à I Cia. de Guardas do Exército, pertodo Parque Farroupilha e o Porto de Eli, av. Protásio Alves. Também trabalhou em peças teatrais e depois se lançou em concertos e festivais por todo o país no estilo voz e violão.

O primeiro disco, lançado em 1990, pela gravadora CBS, trouxe canções de autoria (a faixa título e Mortaes) e regravações de clássicos da MPB, sonífera Ilha, do grupo Titãs, Caminhoneiro de Roberto e Erasmo Carlos, Disseram que Voltei Americanizada, gravada por Carmem Miranda, e Nunca, do conterrâneo Lupicínio Rodrigues).
Naquela estação, por sua vez, integrou a trilha sonora da telenovela global Rainha da Sucata, de Sílvio de Abreu (1990). No ano seguinte, recebeu o Prêmio Sharp de revelação feminina. No segundo trabalho, Senhas, de 1992, o repertório estava focado nas canções de autoria, com destaque para Esquadros e Mentiras; esta última foi incluída na trilha da novela Renascer, de Benedito Ruy Barbosa.

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