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Arte + Agenda

Guga Machado e o “Mafagafo Jazz”

quarta-feira, 30 de janeiro 2013

“Mafagafo Jazz” leva a assinatura de Guga Machado quase por acaso. É uma coleção de 11 músicas onde assina quatro na caneta e todas em sonoridade particular, desenvolvida na percussão, onde se expressa há década e meia. A escolha do(s) instrumento(s) – no caso de Guga o plural é extremamente apropriado – dá bem o tom do espírito do músico e de sua música.

Guga integra uma fieira de objetos sonoros percussivos, de bongô a garrafas de Jack Daniel’s, no mesmo plano que guitarra e baixo funkeados, bateria e metais de jazz. Não em primeiro nem em último planos. Todos ali, com seu grau de importância destacados. E com isso o percussionista alcança o que conhecemos como estilo próprio.

O sobrenome do disco é Jazz, e, sim, temos jazz. Mas também rica sonoridade brasileira, experimentalismo, timbres e encaixes auditivos ousados, pop, rock, funk e qualquer gênero que você queira pontuar.

“Mafagafo Jazz”, a música, dá o tom do que teremos. Por meio de pandeiro, caxixis, balde de aço, teclados, trompete, pratos e com LanLan como convidada a tocar de plástico bolha a garrafas, entramos em um mundo jazzístico cinematográfico. Quase uma viagem no tempo a uma trilha dos anos 1970.

De repente, a estrada muda com tamborins, pandeiro, triângulo, reco-reco e saxofone no lugar do trompete em “Dejavu Groove”. O Jazz poderia ser trocado por Brasil em “Luz”, música que tem sonoridade verde e amarela e vocal de Jair Oliveira.
Parcerias, aliás, são um trunfo que Guga usa como poucos. De Thiago Petit a Shaman (sim, heavy metal) passando por Filipe Catto, entre outros, o crédito do percussionista está registrado. Em “Lounge 01”, por exemplo, enquanto o percussionista toca afoxé, guizo, pandeiro, bongô e congas, no vocal está Vanessa Jackson.

“Auratune” é voz (de Thiago Bianchi) sobre percussão. Até mesmo corporal, executada por Pedro Consorte. Aura? Yes. Já “Moon#33” traz de volta os elementos de jazz como trompete e sax. “Depirapromundo”  veste mais uma vez a camisa canarinho e devolve em viola caipira (Fabio Caetano), alfaia (Gabriel Triani), triângulo, pandeiro, zabumba, timbau, caxixis e caracaxá (próprio Guga).

Há tempo ainda para experimentação com violões sobre base percussiva (“Manari”) e percussão sobre base eletrônica (“Mbira 420”), e no show as vídeo-projeções da VJ Anna Turra. Mas como a abertura deste texto aponta, melhor é não se preocupar com assinatura e se deixar levar. A estrada sonora de Guga é tão suave quanto cênica. E dispensa cinto de segurança.

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