32 C°

quarta-feira, 28 de outubro de 2020.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

aniversario
aniversario

Arte + Agenda

Histórias da literatura de cordel com nova roupagem para jovens

terça-feira, 12 de agosto 2014

A arte de contar histórias não é exclusividade da literatura clássica escrita nos livros. A tradição oral, em prosa ou verso, registrada em texto por poetas populares, também é patrimônio de diversas culturas ao redor do mundo. Essa poesia popular, feita de romances de cavalaria e heroísmo e impressa em folhetos para leitura, é a chamada literatura de cordel. E, para resgatar essa que é uma das nossas mais importantes manifestações populares, Cristina Antunes reúne, em Histórias no varal: três cordéis de romance e aventura, lançamento da Autêntica Editora, duas histórias românticas e uma de aventura, amostras dessa literatura que só enriquece nossa cultura popular, ilustradas por um dos maiores nomes da xilogravura brasileira, o paraibano Ciro Fernandes.

Nascida das antigas cantigas dos trovadores medievais do século XVI, especialmente em Portugal, Espanha, Itália e França, a literatura de cordel fez sucesso nos séculos XVI e XVIII, época em que os cânticos passaram a ser registrados em folhas avulsas. De autores anônimos ou consagrados, como Gil Vicente, esses escritos fantásticos, com conteúdo sobre a moral e os costumes chegaram ao nordeste do Brasil pelas mãos dos portugueses. Têm esse nome porque os folhetos eram apresentados às pessoas pendurados em cordas, como roupas no varal.

O livro apresenta textos escritos por João Melquíades Ferreira da Silva e Francisco das Chagas Batista, ambos nascidos na Paraíba. João Melquíades é reconhecido como um dos primeiros cantadores e poetas da literatura de cordel e teria produzido 36 folhetos. Nasceu em 7 de julho de 1869 e faleceu em João Pessoa, em 10 de dezembro de 1933. Francisco Batista, nascido em 5 de maio de 1882 e falecido em 26 de janeiro de 1930, fundou a Livraria Popular Editora e se tornou conhecido como um dos grandes intelectuais de seu tempo.

A organizadora fez algumas correções na ortografia, mas buscou, nos três cordéis reproduzidos, manter-se o mais possível fiel aos originais. “História do pavão misterioso”, de João Melquíades, conta, em versos, como um pavão levantou voo na Grécia com um rapaz e uma condessa raptada, filha de um conde orgulhoso. No segundo cordel, “Roldão no leão de ouro”, também de Melquíades, o duque Roldão Guarim, escondido dentro de um leão de ouro, tem o dever de resgatar uma princesa de uma prisão. No terceiro e último cordel, “A história de Júlio Abel e Esmeraldina”, de Francisco das Chagas, o tema é a vida e as desventuras de Júlio Abel, um banqueiro rico que vive em Paris, França, e a mulher por ele amada, Esmeraldina.

Em geral pouco reconhecida apesar de sua importância, a literatura de cordel merece ser divulgada pelo valor que acrescenta à produção literária no Brasil e no mundo – e são obras como Histórias no varal que contribuem para o resgate desta que é uma das mais relevantes manifestações da cultura popular e da História.

hoje

Mais lidas

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com