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Temporada premiada de ‘Malhação’ vira série com protagonistas mais velhas e temas adultos

quarta-feira, 12 de fevereiro 2020

Quem nunca se perguntou o que aconteceria com seu personagem favorito após o “felizes para sempre” de uma novela? O clima de romance nunca acabaria? Amigos nunca se separariam? Essas são questões que os fãs de “Malhação – Viva a Diferença” poderão ter respondidas em breve. 

Foto: Divulgação/Globo

Isso porque a 25ª temporada da novela juvenil da Globo, que ganhou o Emmy Internacional Kids 2018, vai virar série, ao trazer de volta as amigas Keyla (Gabriela Medvedovski), Lica (Manoela Aliperti), Ellen (Heslaine Vieira), Tina (Ana Hikari) e Benê (Daphne Bozaski). Agora, mais velhas e em conflitos adultos.

“Foi um pedido dos fãs”, afirma o roteirista e diretor Cao Hamburger, 57. “Fiquei na dúvida se valia a pena, porque novela é uma coisa muito longa, com muitos personagens, muitas história. Mas a insistência foi tão grande que o Silvio [de Abreu, chefe de dramaturgia da Globo] pediu pra eu pensar com carinho.” 

A solução encontrada foi mostrar a história alguns anos depois, transportando as cinco amigas para outro universo, o dos jovens adultos, hoje entre os 20 e os 30 anos. “Pedi uma pesquisa sobre essa Geração Z e achei muito interessante, tanto pro mal como pro bem. Eu me encantei por essa ideia”, afirma ele. 

“É uma geração que cresceu com muita expectativa em cima dela. São pessoas conectadas, bem informadas, solidárias, conscientes. Mas quando chegaram à vida adulta, o mundo já estava em outro momento. Crise política, econômica, social, ecológica. Eles se frustraram”, avalia o diretor.  

Na história, o salto será de seis anos. Para as atrizes, esse novo universo é motivo de empolgação, por ser mais próximo do momento que elas próprias estão vivendo, mas também gera um pouquinho de preocupação, por terem que “envelhecer” as personagens, sem deixar que elas percam a essência. 

“Fiquei na dúvida de como ia fazer isso”, conta Heslaine Vieira, 24. “Tive que olhar para dentro de mim, conversar com as minhas amigas, pessoas em quem confio, e vi que eu visto roupas diferentes, até minha voz mudou desde os 16 anos, mas eu sou a mesma pessoa, só lido com as situações de forma diferente.”

Ana Hikari, 24, diz que o medo de viver a mesma personagem sumiu já na preparação: “Todo ator e atriz têm medo de fazer o mesmo e não se descobrir como artista. Mas eu vi que esse é um lugar completamente diferente. Por ser uma série, pelo conteúdo do seriado, pelo momentos da vida de Tina.”

No ar entre os anos de 2017 e 2018, “Malhação – Viva a Diferença” já trazia em seu formato original algumas particularidades. A edição foi a primeira ambientada em São Paulo e ficou, não o tradicional triângulo amoroso, mas cinco amigas de classes sociais e com histórias de vida muito diferentes.

Os conflitos iam da gravidez na adolescência ao abandono parental. Mas o destaque foi a atuação de Daphne Bozaski, que fez a jovem autista Benê, e aos primeiros beijos entre pessoas do mesmo sexo de “Malhação”, desde selinhos em um beijaço até o romance entre Lica e Samantha (Giovanna Grigio). 

Na série, as meninas estarão novamente na capital paulista, mas sob outras circunstâncias, abordando questões como desemprego, relacionamentos fluidos, dificuldade de assumir compromissos, até a baixa tolerância à frustração e a relação com as redes sociais. “Conflitos de jovens de 25 anos”, resume Hamburger.

“Na época da novela, tanto crianças quanto senhoras me abordavam, mandavam mensagem. Acho que acontecerá isso com a série também. É um tom mais adulto, mas os temas são amplos, em que as pessoas mais velhas poderão se identificar, entender, se sensibilizar. É para todo mundo gostar”, diz Hikari.

SEPARADAS?
Assim como no início de “Malhação – Viva a Diferença”, a história de “As Five” também começará com o reencontro das cinco amigas, detalhe que surpreendeu Daphne Bozaski, 27: “Eu lia e só conseguia pensar: ‘mas como assim elas se separaram? Não é possível'”, recorda, aos risos, a atriz, que interpreta Benê. 

O momento será de dificuldade e descoberta para as cinco. No caso de Benê, Daphne adianta que estará passando por um momento de descoberta da individualidade, após seis anos vividos ao lado de Guto (Bruno Gadiol) e dedicado à música. O rompimento do casal será o estopim. 

“Eu acho isso muito bonito, porque é o que a gente passa na vida. Tem momento em que parece que tudo muda. Estava tudo certo e, de repente, tudo muda e você acha que está um caos. Mas descobre que aquilo pode ter sido bom, você amadurece. Sobre isso, mais ou menos, que a Benê vai tratar”, afirma ela. 

Keyla, que se tornou mãe ainda adolescente, agora estará ainda mais focada na maternidade. “Ela abriu mão de muita coisa, teve que se virar sozinha. Não diria que ela não tem autoestima, a questão é que ela não tem nem tempo para isso, ela está tendo que se virar nos 30”, diz a atriz Gabriela Madvedovisk, 27. 

As responsabilidades da vida também vão ter arrastado Ellen (Heslaine Vieira) para uma realidade bem diferente da que tinha na novela. Ela estará de volta ao Brasil, agora noiva, após uma temporada nos Estados Unidos. Já Tina (Ana Hikari) terá que enfrentar seus problemas familiares, após a morte da mãe. 

“É um momento tão delicado que não dá para ser igual ao que era antes. A Tina tinha num embate muito direto com a família e agora que a mãe morreu, a primeira vista, a gente pode pensar que vai ficar tudo bem, mas não é. Ela acaba mergulhando ainda mais nessa crise. Ela não aceita esse luto.” 

Para Manoela Aliperti, 23, que dá vida à explosiva Lica, a idade chega para as protagonistas, mas a maturidade ainda não e, por isso, os desafios. “Gosto de descrever a Lica como uma mulher com alguns muitos traços de uma adolescente a flor da pele”, analisa a atriz. 

Na trama, ela estará recém-separada de Samantha (Giovanna Grigio), mas ainda vivendo “em uma bolha social, econômica e cultural, e desfrutando de seus privilégios sem questionar. Até que a realidade bate na sua porta e ela começa um movimento de mudanças, onde algumas fichas vão cair e muitas outras não”. 

Entre todas essas questões, Cao Hamburger afirma que as diferenças econômicas e sociais tão presentes na novela não são o assunto principal de “As Five”, mas um elemento importante já presente no conceito inicial da produção, assim como o feminismo, que “não é uma bandeira, mas também está impregnado lá.”

Já em relação aos personagens, o diretor diz que tentou trazer o maior número possível dos que fizeram “Malhação – Viva a Diferença” de volta à série. Segundo ele, muitos mereceriam um spin-off, mas não caberiam nos 12 episódios da primeira temporada de “As Five”, que ainda não tem data de estreia e, segundo Hamburger, será veiculada posteriormente na Globo, no horário da noite.

Quanto a uma segunda temporada, ele afirma que escreveu a primeira já pensando na continuação, mas que isso será definido mais para frente. As protagonistas ficam na torcida: “Pelo amor de Deus, acho que falar de amizade vai render para vida inteira. Enquanto tiver oportunidade de fazer a Ellen eu estou aí, seja com 40, 50, 60 anos”, garante Heslaine. 

Fonte: Folhapress

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