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Direito & Justiça

Advogada usa estratégia matemática para solucionar conflitos de cliente

quinta-feira, 28 de novembro 2019

A advogada Debora Ghelman, especializada em Direito Humanizado nas áreas de Família e Sucessões, encontrou na Teoria dos Jogos uma forma para solucionar conflitos familiares. Trata-se de um modelo matemático que estuda a tomada de decisão numa situação de conflito envolvendo duas ou mais pessoas, na qual a decisão de uma delas se baseia numa possível reação da outra. “Essa teoria ficou bastante conhecida no filme “Uma mente brilhante” de 2001, que conta a história de John Nash. Ele conseguiu comprovar, matematicamente, que, num conflito, a cooperação de um jogador com o seu adversário pode maximizar os ganhos individuais. Em outras palavras, a melhor decisão será aquela que for melhor para ambas as partes”, explica.


De acordo com a advogada, a teoria vem ganhando espaço em diversos ramos profissionais além da matemática e economia, como na filosofia, jornalismo e na advocacia. No direito, a Teoria dos Jogos mostra-se muito eficiente na busca por uma resolução pacífica entre seus clientes, evitando desgaste no processo, brigas e disputas. É uma forma de envolver as partes na situação do outro, como objetivo de criar empatia pelos questionamentos e medos de todos. Um dos exemplos em que pode ser utilizada é na questão de guarda dos filhos.


Conforme Debora Ghelman explica, na advocacia, é dever do advogado orientar o seu cliente na tomada de decisão quando este estiver vivenciando algum conflito que tenha consequências jurídicas. “Quando o cliente procura o advogado, este deve analisar todo o cenário descrito, devendo identificar a presença de todos os elementos da teoria, que são: o jogo, os jogadores, as recompensas e as regras do jogo”.


A advogada exemplifica um caso envolvendo um pedido de pensão alimentícia entre cônjuges, sendo a cliente a ex-esposa que quer pleitear a pensão. “O jogo seria o pedido de pensão, os jogadores seriam a ex-esposa e o ex- marido, além dos filhos menores. Já a recompensa para a ex-esposa, seria o conforto financeiro e, para o ex-marido, seria a melhor convivência com os filhos menores. As regras do jogo seriam a lei e a jurisprudência, que atualmente são desfavoráveis à cliente”, descreve.


“Analisando todo esse caso, seria inteligente ajuizar de início uma ação de alimentos ou seria mais plausível buscar um acordo com o ex-marido levando em consideração as futuras recompensas para ambos? Caso a outra parte permaneça irredutível, o processo judicial será instaurado. Porém, os riscos estarão calculados”, completa. Debora Ghelman defende ainda que o advogado deve “dissecar” o conflito e apresentar o cenário ao cliente, possibilitando que ele tenha uma visão macro do problema. “Isso faz com que as decisões a serem tomadas pelo cliente e referendadas pelo advogado sejam baseadas na razão e não na emoção, gerando maior eficiência e celeridade na resolução do conflito”, acredita.

Eficiência
A especialista considera que o grau de eficiência da Teoria dos Jogos na solução do conflito é bastante alto. De acordo com ela, quando aplica a teoria é possível ter certeza que as chances de seus clientes se arrependerem serão menores que as decisões tomadas em razão do conflito.

Jogo completo
Em casos em que o litígio é inevitável, a especialista procura aplicar o ‘jogo completo’, envolvendo todos os participantes do processo, incluindo o juiz e o advogado da outra parte. “Temos que estudar cada um para ter uma boa estratégia dentro do jogo e táticas que vão funcionar na hora do julgamento, pensar na posição que cada um vai estar naquele cenário. Qual costuma ser o posicionamento daquele juiz em processos semelhantes, por exemplo. É preciso se colocar na posição de cada um”, afirma.


A advogada detalha que, quando um cliente lhe procura, o primeiro passo é identificar quais são suas necessidades e qual o cenário jurídico desejado. A partir dessas constatações, passa para o que chama de árvores das decisões, a qual será analisada os possíveis cenários e quais decisões poderão ser tomadas incluindo as consequências.
Desde o início, o cliente consegue ter ideia do que poderá ocorrer caso a solução não seja amigável e seja necessário ir para o litígio. Conforme Debora, a vantagem é que o cliente estará mais fortalecido para a disputa judicial, podendo se preparar melhor para o conflito uma vez que os riscos estarão calculados.


Segundo ela, conhecer a Teoria dos Jogos é fundamental na prática da profissão. “Eu sempre vou defender os interesses do meu cliente e acredito que a melhor forma de fazer isso é mediar conflitos, evitando brigas que não precisam acontecer e melhorando o diálogo entre todos. E nessa hora que a teoria se mostra muito válida, pois ela ajuda nesse entendimento do outro”, finaliza.

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