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Crise do coronavírus faz planos de saúde cancelarem autorizações para exames e cirurgias

sexta-feira, 20 de março 2020

Diante da pandemia do novo coronavírus, operadoras de saúde estão cancelando novas autorizações para exames e cirurgias que não se enquadrem em casos de urgência e emergência. Até senhas já liberadas têm sido postergadas.

Foto: Reprodução

Nesta quinta (19), a Amil, a maior operadora de planos de saúde no país, comunicou que estava adiando novas autorizações de procedimentos feitos em ambiente hospitalar a partir de orientações do Ministério da Saúde.

“Essa decisão preserva leitos hospitalares para os pacientes acometidos pelo vírus da Covid-19 e evita que pacientes saudáveis frequentem unidades de saúde, com exposição a risco de contaminação”, diz a operadora.

Para os casos de autorizações já concedidas, a operadora recomenda que os hospitais avaliem com seus pacientes a possibilidade de adiamento dos procedimentos.

A decisão será mantida enquanto durar o estado de emergência de saúde pública, segundo a Amil.

A Notredame Intermédica também cancelou as cirurgias eletivas e os exames de colonoscopia. Está recomendado ainda que seus beneficiários evitem consultas médicas e idas aos pronto-socorros.

Para o diretor Paulo Chapchap, diretor do Hospital Sírio-Libanês, há cirurgias que não são exatamente urgentes, mas que não podem esperar três meses para acontecer.

“Um câncer de mama, de intestino, de fígado, de estômago, você tem que continuar, não dá para parar porque esse indivíduo vai ter uma progressão da doença e vai ter chance de cura menor”, diz.

Outras cirurgias, como uma rotura de ligamento de joelho, causam sofrimento e também não deveriam ser adiadas, segundo ele.

“A pessoa não consegue subir e descer escada, não consegue pisar, tem de tomar um monte de anti-inflamatórios, às vezes opioides. Vamos esperar três meses?”, questiona.

Já outras operações e exames como mamografia, colonoscopia e endoscopia, quando de rotina, podem ser adiados, segundo ele. “Os pacientes estão entendendo muito bem e até pedindo para não irem a um ambiente hospitalar neste momento.”

Mas também há exceções para o caso de exames. “Tivemos um paciente que fez quimioterapia e precisamos fazer uma endoscopia para saber se ele é operável ou não.”

Para Chapchap, é errado os convênios negarem sumariamente autorização para casos que não se enquadrem como urgentes. “Eles não têm como saber cada caso específico.”

Nesta sexta (20), o Sírio já fazia menos da metade cirurgias diárias (foram de 80 para 35, em média). O hospital está com 12% da sua capacidade já ocupada por pacientes com confirmação ou suspeita de infecção pelo novo coronavírus.

Alexandre Ruschi, presidente da Central Nacional Unimed, diz que recomendou à rede de 323 cooperativas e credenciados o adiamento dos procedimentos eletivos de qualquer natureza.

“Não fazia sentido proibir, como eu vi em manifestações de outras operadoras, derrubando autorizações, porque é uma ofensa ao regulamento”, afirma Ruschi.

Segundo ele, houve aceitação dos médicos. “Até porque eles estão na linha de frente e precisam se preservar”, afirma.

Ao mesmo tempo, pediu à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) que regulamente o assunto em forma de resolução.

“A gente tem um monte de prazo para agendamento de consultas, de procedimentos, de liberação de guias de exames. Todos esses prazos estão vinculados a penalidades.”

Segundo José Cechin, superintedente-executivo do Iess (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), as operadoras estão mobilizadas não só para adequar a assistência de seus beneficiários nesse momento de crise sanitária mas também para proteger seus profissionais da saúde.

“Submeter-se a qualquer procedimento já é arriscado. Nesse ambiente atual de alto risco, não é recomendado, se a pessoa pode adiar o procedimento. Temos que deixar os equipamentos disponíveis para as emergências e para o coronavírus.”

Entre os pacientes, especialmente os que lidam com doenças graves, o clima é de apreensão. Uma jovem com câncer de mama conta que teve que adiar as três últimas sessões de quimioterapia e que o mesmo deve ocorrer com a cirurgia, prevista para 23 de abril.

“Fiquei um pouco frustrada, mas considero uma decisão sensata para o momento que estamos vivendo. Daqui a um mês não haverá mais hospitais seguros, todos estarão provavelmente ocupados com pacientes com coronavírus.”

Segundo a psicóloga Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, já começam a aparecer problemas de todas as ordens, de adiamento de cirurgias a cancelamento de retornos de pacientes já operados.

“Torço para que as clínicas usem e abusem da teleorientação. Dessa forma, o paciente se sentirá mais amparado, ficando mais seguro numa hora de tantas incertezas”, afirma.

Fonte: Folhapress

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