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Adoção

Apadrinhamento

quinta-feira, 28 de novembro 2019

A menina M.N., de nove anos de idade, não lembra nada da família biológica. Ela não fala sobre ninguém com quem teve algum tipo de relacionamento familiar anteriormente. Em seu tão pouco tempo de existência, a menina não tem referências familiares, não sabe se participou de festas com pai e mãe ou se teve um dia o carinho deles. Ela vive em uma instituição de acolhimento há tanto tempo que essas lembranças já não consegue alcançar. A convivência familiar para ela hoje só é possível graças ao programa de Apadrinhamento de Crianças e Adolescentes, lançado pelo TJCE em 2015 em três modalidades: afetivo, financeiro e prestação de serviços.

Há dois anos, M.N. é apadrinhada afetivamente pelo casal Marissol de Medeiros Melo e Tarcísio Lemos, ambos servidores públicos. Esse tipo de apadrinhamento permite com que a criança ou o adolescente possa sair da instituição de acolhimento e ficar fins de semana ou feriados com os padrinhos. Sempre que sabe que o casal vai pegá-la, M.N. fica ansiosa e feliz. “Desde o início do programa nós quisemos apadrinhar. Para a criança é muito importante, isso é mostrado pela ansiedade dela quando vamos pegá-la. Se todo mundo pudesse fazer um pouco seria ótimo, pois há muitas crianças ainda abrigadas e fora do perfil que as pessoas geralmente procuram para adoção. Essa é uma forma de essas crianças e adolescentes terem uma convivência familiar e comunitária. Estamos muito felizes”, disse Marissol Melo.

“O programa visa levar a essas crianças um pouco maiores de idade a oportunidade de conhecer uma família e de participar da vida familiar. Geralmente, são crianças ou adolescentes que são mais difíceis de serem adotadas. A intenção é que as pessoas queiram dar um pouco de si, do seu apoio e afetividade para essas crianças e adolescentes que, infelizmente, ficam no abrigo às vezes sem nunca ter conseguido uma família. É um apoio para fazer a diferença na vida deles. Saber que alguém acredita e confia em você ajuda na autoestima”, disse a psicóloga do setor de Apadrinhamento do Juizado da Infância e Juventude, Joselita Oliveira.

DADOS

Atualmente, de acordo com o setor de Apadrinhamento do Juizado da Infância e Juventude do Fórum Clóvis Beviláqua, 17 crianças estão participando do apadrinhamento afetivo; 9 participam do apadrinhamento financeiro e 117 estão sendo atendidas pelo apadrinhamento de prestação de serviços. 

De acordo com Nathália de Lourdes Coelho Cruz, coordenadora de Processos

Administrativos e Judiciais da Vara da Infância e Juventude de Fortaleza, o apadrinhamento é uma forma positiva que oportuniza uma vida melhor para crianças e adolescentes. “Precisamos fazer com que a sociedade saiba e tenha ciência do programa. O apadrinhamento afetivo é o mais importante. Geralmente, essas crianças e adolescentes não sabem como é ter uma família e o programa proporciona esse conhecimento que para muitos é simples, mas para eles não é. Situações simples do dia a dia, como uma alimentação ou qualquer outra atividade coletiva em família para eles é muito representativo”.

FORMAS DE APADRINHAMENTO

Afetivo – incentiva a manutenção de vínculos afetivos, ampliando as oportunidades de convivência familiar e comunitária. O voluntário pode visitar o apadrinhado na unidade de acolhimento, levá-lo para passear, passar fins de semana, férias escolares (por período não superior a sete dias), entre outras ações lazer.

Financeiro – contribuiu economicamente para atender as necessidades do acolhido, sem criar necessariamente vínculos afetivos. Pode custear os estudos do apadrinhado, atividades extracurriculares, tratamentos de saúde, além de poder presentear o jovem com livros, vestimentas e outros bens.

Prestação de serviços – é realizado por profissional liberal que poderá executar, junto às instituições de acolhimento, cursos direcionados ao público infantojuvenil, custear atividades diversas que garantam acesso à dignidade dos acolhidos, além de colaborar com serviços inerentes às atividades do voluntário.

Para participar do programa é preciso se dirigir a uma Vara da Infância e Juventude do Fórum Clóvis Beviláqua. Mais informações podem ser conseguidas no telefone (85) 3278-7684 ou via e-mail: apadrinhamento@tjce.jus.br.

Por Crisley Cavalcante

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