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Mercado dos Peixes aquece economia local

segunda-feira, 13 de abril 2020

 
Por Anatália Batista

A Barra do Ceará é o bairro mais antigo de Fortaleza. Além de ser considerado o berço histórico do Ceará, guarda uma das paisagens mais exuberantes da cidade, ainda pouco apreciada. Um pôr do sol na ponte do Rio Ceará ou no calçadão da Avenida Vila do Mar, é de encher os olhos e aquecer a alma. E é na Avenida Vila do Mar, localidade que permite uma visão privilegiada da orla de Fortaleza, que fica o novo Mercado dos Peixes.
O empreendimento, inaugurado em dezembro do ano passado, veio para trazer perspectivas de turismo para a região e fomentar a economia local, onde boa parte das famílias sobrevivem do mar, seja da pesca ou de vendas na praia. Antes, a venda de peixes era feita de forma improvisada e irregular: no calçadão, sem estrutura adequada e em barracas de madeira. Mesmo assim, a venda dos mariscos diretamente das jangadas já era um atrativo na região. As pessoas costumavam – e ainda costumam – esperar as jangadas saírem do mar para comprar peixes. 


Agora, de frente ao antigo local onde eram colocadas as barracas, encontra-se o novo Mercado dos Peixes. Fica localizado, precisamente, entre as ruas Doutor Valdir Leopércio e José Roberto Sales. O equipamento conta com 15 boxes, sendo 13 exclusivos para vendas e dois destinados ao preparo de alimentos, como as opções de fritura e assado na brasa. Todos são revestidos em cerâmica, possuem bancadas com pia, balcão e espaço para freezer. 
O novo Mercado dos Peixes foi construído pela Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf), as obras duraram 10 meses e foram investidos R$ 860 mil. Além da construção do equipamento, parte do calçadão foi reformado e a via recebeu paisagismo e praças, com a intenção de ser mais uma opção de turismo para a comunidade. 

Empreendedores
Mais que pescadores e vendedores, os permissionários são, agora, empreendedores. Todos os donos dos 15 boxes foram capacitados pela Secretaria Regional I, Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico (SDE) e Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Com a qualificação, tornaram-se empreendedores profissionais, com habilidades para prestar um serviço com excelência no atendimento e na venda criativa, e capacitados para operar dentro das normas sanitárias e territoriais.
“Antes da entrega do novo equipamento, os permissionários foram capacitados e tornaram-se aptos em diversas temáticas que são de suma importância para o atendimento efetivo e eficaz. As aulas aconteceram por meio de módulos que abordaram, por exemplo, o Serviço Eficiente, a Excelência no Atendimento, a Venda Criativa, a Motivação e a Operação das Atividades tomando por base as Normas Sanitárias e Territoriais”, explica o secretário da Regional I, Rennys Frota. 


De acordo com Rennys Frota, devido às condições insalubres do antigo espaço, sem obediência às normas sanitárias e de ordenamento territorial, um novo lugar já era uma solicitação antiga dos permissionários. “Com a instalação do novo mercado, localizado em frente ao antigo, foram oportunizados empreendedorismo e estímulo da economia local. Hoje, os próprios permissionários repassam para gente informes sobre o acréscimo nas vendas e na diversidade do tipo de compradores e frequentadores do local. Relatam a presença crescente do fluxo de moradores pertencentes a outras regiões da cidade e de turistas”, destaca Rennys.  
Elias da Silva Valente, pescador e permissionário, conta que as vendas melhoraram muito depois da mudança para o novo equipamento. Uma das vantagens, segundo ele, é que o horário de atendimento também se estendeu. O que ocorria da tarde para noite, passou a ser durante todo o dia. O mercado fica aberto de 7 horas às 12 horas, e de 16 horas às 22 horas. 
O movimento costuma ser maior à noite. Além das pessoas que vão apenas comprar os mariscos, o local tornou uma opção de lazer para famílias e amigos que se reúnem para comer um bom peixe – frito ou assado na brasa – feito na hora ou porções de camarões ao óleo e alho. “Aqui, nosso carro chefe são os camarões, principalmente os grandes. Aqui melhorou tanto, que muita gente, do bairro mesmo, que antes ia para o Mucuripe, vem para cá”, disse Elias. 


Sua esposa, Sueli Ribeiro, é a representante dos permissionários do Mercado dos Peixes. Segundo ela, além do camarão, não pode faltar a serra, o atum, pargo e, claro, o cará. “Todo mundo nos parabeniza, elogia, e agora nos chamam de empresários”, conta Sueli. 
Filho de marchante, Fabiano Rocha Silva, vive há 44 anos no bairro, apesar de não ser pescador, também é do mar que faz sua renda. O permissionário conta que aguarda que mais pessoas conheçam a Barra do Ceará e que seja mais um local de turismo, com a chegada do novo Mercado dos Peixes. E frisa: “nossa intenção é divulgar mais, para que o cliente possa vir, o turista também, que conheça essa parte. Aqui, é o sustento da minha família, com certeza é nosso ganha pão”, conclui.  

Do mar, eu sou 
Elias da Silva Valente é pescador desde os 14 anos. Hoje, com 38, o mar tornou seu sustento. “Tenho três jangadas e quando não estou no mar, estou aqui ajudando minha esposa a vender. É daqui [box] e do mar, que fazemos nossa renda”, afirma. Para ele, a entrega do equipamento trouxe esperança – em melhoria nas vendas e que mais pessoas conheçam a Barra do Ceará. “As pessoas conhecem muito a Barra do Ceará como um ponto muito perigoso, mas, graças a Deus, aqui no Vila do Mar, não. O mercado foi uma melhoria grande, não foi pequena, e a gente acredita que vai melhorar ainda mais quando o turista conhecer e o pessoal começar a vir mais”, acredita Elias. 


Franciné Couto, mais conhecido como Franzé, também é um dos permissionários. Ele conta que há 35 anos saiu de São Paulo, com destino ao Ceará. Desde que chegou, tornou-se mais um filho do mar. “Foi no mar que criei minhas filhas e foi lá que eduquei. Minha vida é uma história dessa lagoa que Deus me deu”, conta Franzé. 


Franzé, hoje é apenas vendedor, mas passou 35 anos pescando. “Não pesco mais porque não tenho tempo, me aposentei e minhas filhas não me deixaram mais pescar, tive que dar um tempo, mas se precisar eu volto”, disse.

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