32 C°

quinta-feira, 28 de maio de 2020.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

Fortaleza 294

NADIJ – Pelo direito de crianças e adolescentes

segunda-feira, 13 de abril 2020

Por Crisley Cavalcante

São quase 300 anos de muitas histórias exitosas. Mas como as grandes metrópoles brasileiras, também possui suas deficiências. Uma delas está estampada no rosto de 431 crianças e adolescentes que vivem em instituições de acolhimento espalhadas pela cidade. De certo é uma estatística que não combina com a beleza de Fortaleza. Ao todo, são 21 instituições que acolhem meninos e meninas invisíveis.


Invisíveis para uns, não para todos. O Núcleo de Atendimento da Defensoria da Infância e Juventude (Nadij) percebeu que muitas dessas crianças e adolescentes institucionalizadas estavam sem vacinas básicas e obrigatórias pelo calendário anual. Antes da Páscoa, o Nadij solicitou, via ofício à Secretária de Saúde do Município de Fortaleza, a presença de Equipe Técnica Especializada nas Unidades de Acolhimento para a aplicação das vacinas que compõem o calendário oficial do Ministério da Saúde das vacinas e que se venceram ou que vencerão durante esse período de isolamento, bem como a H1N1, uma vez que referidas vacinas não puderam ser aplicadas, em razão do distanciamento social, decorrente da pandemia do COVID-19 (Novo Coronavírus).


Além disso, o Núcleo verificou que, em algumas unidades, também não dispunham de materiais básicos para o enfrentamento à pandemia, como álcool, máscaras e sabão anti-séptico.


“Não faz sentido crianças e adolescentes irem ao posto de saúde receber esse atendimento em uma época dessas. Seria um risco muito alto. Por isso solicitamos as vacinas do calendário oficial que eventualmente se venceram ou estão por vencer durante o isolamento. Ano passado, já tínhamos conseguido mutirão de vacinação. Estamos aguardando a resposta dessa demanda, que deverá ser atendida. Tudo de acordo para atender à recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que é manter o isolamento para evitar qualquer doença”, explicou a defensora pública do Nadij, Ana Cristina Teixeira Barreto.


Para ela, é preciso lembrar que essas crianças e adolescentes têm direitos garantidos pela Constituição Federal e que devem ser amplamente respeitados por toda a coletividade. “Temos a responsabilidade social e devemos lembrar que o direito da criança e do adolescente não é só o direito jurídico, mas o social também, sobretudo a uma vida digna, que passa, necessariamente, pela questão da saúde que deve ser preservada. O isolamento, para muitas pessoas que tem família, casa e lar, aconchego de quem ama, acaba sendo mais fácil de suportar, mas essas crianças vivem na incerteza. Eles têm raros momentos de lazer. Eles já estão isolados dentro de uma casa onde tudo é dividido. Já é uma situação de conflito. Temos que pensar em uma forma de minimizar esses afetos e consequências, garantindo, pelo menos, o básico”, destacou a defensora pública.
O jornal O Estado procurou a Secretaria Municipal de Saúde, mas até o fechamento desta edição não recebeu resposta.

hoje

Mais lidas

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com