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Solidariedade durante quarentena

segunda-feira, 13 de abril 2020

Por Crisley Cavalcante

“É na dificuldade que crescemos”. Se você já ouviu essa frase em algum lugar, saiba que ela faz todo o sentido para milhares de fortalezenses, principalmente, em tempos em que todos passam por dificuldades em razão da pandemia da Covid-19 (Coronavírus). Mesmo com medo da transmissão do vírus que logo se tornou comunitária na cidade, jovens entre 20 e 27 anos, moradores do bairro Quintino Cunha, não se abateram e saíram às ruas da cidade para arrecadar alimentos para quem passava fome.
Gente ajudando gente. Pessoas normais, de uma comunidade centenária e uma das mais tradicionais da cidade. São jovens que poderiam estar preocupados somente com os seus, mas abriram o coração e encabeçaram o projeto “Empatia na Favela”. Durante a pandemia, mapearam 70 famílias da favela “Inferninho” e arrecadaram meia tonelada de alimentos e produtos de higiene para suprir as necessidades dessas pessoas por 15 dias. Uma forma também de celebrar o aniversário da cidade.


São famílias pobres que, por não poderem sair de casa, em razão do confinamento, estavam sem mantimentos básicos, mas o olhar solidário de jovens mobilizou a cidade e fez crescer um movimento humano, que mostra o poder de solidariedade, mesmo quando a dificuldade se apresenta para todos.
“Pensamos em suprir uma demanda de emergência, pois quem tem fome, tem pressa. Não sabemos quanto tempo isso vai durar, por isso estamos correndo contra o tempo”, disse o voluntário Rutênio Florêncio Monte, 20 anos, design gráfico. A iniciativa é dele e de mais sete amigos.Todos os alimentos foram higienizados e separados em formas de cestas básicas antes de serem entregues às famílias.

Espírito de amor
A cidade está deserta. Com o período de quarentena, as pessoas não estão utilizando os espaços como outrora. Mas algumas delas não têm escolhas: as pessoas em situação de rua. Sem casa, o espaço que continuam usando são as ruas, praças e guetos. Por isso, um grupo religioso, formado por cerca de 20 voluntários, uniu-se para arrecadar alimentos e fazer doações para essas pessoas.
Ao todo, foram mais de 150 kits, tudo devidamente higienizado. Durante a semana, o movimento é para arrecadação dos alimentos. Aos sábados e domingos, o grupo se reveza e sai pelas ruas e praças da cidade para efetuar as doações. “Nos unimos porque percebemos que essas pessoas não teriam o que comer durante esse período. Com a redução do comércio e das pessoas nas ruas, aqueles que moram nas ruas sofrem muito mais. Era preciso fazer alguma coisa. Precisamos olhar para o nosso irmão com mais solidariedade”, disse uma das voluntárias, Fernanda Albuquerque.

Olhar animal
Se a solidariedade do fortalezense abriu o coração para os humanos que passavam fome, o mesmo ocorreu com os animais. Fortaleza possui milhares de animais abandonados, de acordo com dados da Comissão de Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE). São mais de 30 pontos de abandonos espalhados pela cidade. São em sua maioria cães e gatos que, em tempos de quarentena, quando a circulação de pessoas é reduzida drasticamente, continuam passando fome, mas de uma forma mais acentuada.
Por isso, um grupo de voluntários formado por protetores, representantes de instituições públicas, como a Coordenação Especial de Proteção e Bem-Estar Animal do Município de Fortaleza, advogados, entre outros, criou o projeto “Patas Unidas”. A mobilização arrecadou mais de 2 toneladas de ração que foram distribuídas, até o dia 9 de abril, para 41 protetores independentes e abrigos, para alimentar animais adultos e filhotes, largados à própria sorte pelas ruas da cidade.

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