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Cotidiano nos terminais tem mudanças após coronavírus

quarta-feira, 18 de março 2020

Os terminais de integração de Fortaleza tiveram seus cotidianos alterados nos últimos dias. Após a chegada do novo coronavírus (Covid-19) no Brasil, especialmente com o anúncio dos primeiros casos no Ceará, que aconteceu no último domingo (15). Ontem, o movimento no Terminal de Integração do Papicu estava visivelmente abaixo do normal. Além disso, essa redução na circulação de pessoas tem impactado no trabalho dos vendedores ambulantes e na rotina dos motoristas.
Desde a última terça-feira, a maior parte da frota de ônibus da Capital está circulando com os vidros abertos. Mesmo os veículos refrigerados estão tendo o ar-condicionado desligado e as janelas destravadas. O motorista Wagner Monteiro, 39, afirmou que ainda não foram passadas orientações expressas aos motoristas, mas deverá haver uma reunião para organizar os métodos de prevenção com todos os condutores. Enquanto não há essas orientações, faço minha parte “lavando as mãos sempre que chego nos terminais”, explicou.

Queda
A vendedora ambulante, Kelly Coelho, 38, vende pastilhas de menta e pacotes de amendoim. “As pessoas estão com medo até de pegar nosso material”, afirmou. Esse temor acaba por prejudicar o faturamento dela. “É minha única fonte de renda desde que saí da prostituição. Já trabalho nos coletivos há um ano e quatro meses; nunca vendi tão pouco”, contou.
Ainda segundo Kelly, o faturamento dela e dos colegas caiu bastante. “Todo dia eu faturava cerca de 100 reais, mas agora não estou passando de 20 ou 30 reais. No 222 [222-Antônio Bezerra/Papicu/Antônio Sales] eu conseguia 30 reais só numa viagem, hoje só fiz 2 reais. Não sei nem como vou pagar meu aluguel”, completou.
Patrícia Pontes, 34, é cabeleireira e trabalha num salão de beleza situado em um dos terminais. Ela explicou que o movimento caiu em torno 70% esta semana. E lamentou. “Isso prejudica, porque recebemos por comissão”. A cabeleireira afirmou também que tem tomado alguns cuidados para se proteger. “Estamos lavando as mãos com bastante frequência. Usando máscaras direto. Desligamos até o ar-condicionado, abrimos as portas, para aumentar a ventilação”, explicou.

Cresceu
Na contramão de Kelly e Patrícia, o ambulante Flávio Ribeiro, 18, viu seu faturamento aumentar bastante de nos últimos dias. Ele trabalhava com vendas de gel para massagem, mas viu no temor ao Covid-19 uma oportunidade. “Passei a trabalhar com alcóol em gel, minhas vendas melhoraram mais de 100%, só terça foram 105 unidades do produto, está todo mundo querendo”, afirmou. Ontem, ele pretendia vender 160 unidades.
Flávio também afirma que tem tentado se prevenir usando álcool em gel direto, mas lamentou porque não conseguiu comprar máscaras. “Não estou usando porque não tinha. Fui até no centro procurar mas não achei”, completou.
Dos usuários de transporte coletivo que estavam no terminal, apenas alguns estavam usando máscara. Mas boa parte dos vendedores que ficam nos boxes e quiosques do terminal estavam equipados com esse material. Muitos deles, inclusive, estavam utilizando máscaras pretas. Segundo alguns desses pracistas, a veste preta era a única disponível.

Importante
Por meio da Assessoria de Imprensa, a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) informou que ainda não há nenhuma diretriz para redução da frota de ônibus na Capital, mas que, por “hoje ser feriado; amanhã, ponto facultativo; e depois vem o fim de semana, o oferecimento de ônibus é menor por conta da demanda reduzida”.

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